Sejam bem vindos pra dentro de mim. Aqui, estou expondo emoções, revelando minha alma, compartilhando com carinho... Publicando sentimentos. (Gil Façanha)

domingo, 15 de agosto de 2010

Aprendendo a viver



Tão jovem, e como todo tolo jovem ser humano, julgava-se conhecedora de tudo na vida. Pouco conhecia além das fronteiras de sua própria existência. Mas se era sua própria vida tudo o que ela conhecia, então já conhecia tudo da vida.
Pouco ou nada a sua volta lhe chamava atenção. Tinha sempre aquele ar de quem sabe mais, ou de quem sabe algo que mais ninguém conseguiu descobrir no mundo.
Passava sempre a impressão de ter a todo o momento, a palavra certa, a atitude mais adequada, e todos a sua volta pareciam tão aquém do que conseguia, em sua mente, ser!
Era simples entender a chuva... Era inverno!
Nada de mistério havia na escuridão da noite... Apenas não havia luz!
O amor era claro, sem momentos fantasiosos... Amar era apenas amar!
Tudo tão simples, tão claro. Mas algo que ela costumava não permitir que viesse tão ao espelho de sua alma, lhe incomodara por toda uma vida, e ainda assim, nunca procurou entender o por que.
Mas em algum momento as fronteiras se abriram, alcançaram outro mundo voraz, que a devorava com tanta violência, que mal teve tempo pra entender o que se passava. Apenas acabara de descobrir que a vida era mais... Maior que seu mundinho particular. Maior do que ela pode um dia, supor.
Descobriu que também chove no verão!! Não dá pra conter o tempo, ou premeditar todas as nuvens. Chuvas torrenciais fora de época devastaram seu florido jardim de emoções.
A escuridão da noite, também se tornou fria, e pra surpresa dela... Havia luz!! Mesmo na mais negra noite, poderia haver luz. Bastava fechar os olhos e se permitir imaginar. Ver estrelas, ver o próprio luar refletido em seu confuso olhar.
O amor que outrora fora tão claro, sem fantasias, perdeu-se em tantos outros sentidos, em outros sentir. E o que era apenas amar, transformou-se na infinita busca do SER amado.
Muitas coisas se perderam no caminho, e já distante de qualquer certeza, a única coisa que lhe parece aceitável hoje, é que não é possível e nem é preciso saber tudo da vida. É preciso apenas, saber viver, e que até isso, só o tempo pode nos fazer aprender. 

Gil Façanha


"Mas tenho medo do que é novo e tenho medo de viver o que não entendo - quero sempre ter a garantia de pelo menos estar pensando que entendo, não sei me entregar à desorientação".

Clarice Lispector

"É curioso como não sei dizer quem sou. Quer dizer, sei-o bem, mas não posso dizer. Sobretudo tenho medo de dizer porque no momento em que tento falar não só não exprimo o que sinto como o que sinto se transforma lentamente no que eu digo".


"Porque eu fazia do amor um cálculo matemático errado: pensava que, somando as compreensões, eu amava. Não sabia que, somando as incompreensões é que se ama verdadeiramente. Porque eu, só por ter tido carinho, pensei que amar é fácil".

Clarice Lispector
"Terei toda a aparência de quem falhou, e só eu saberei se foi a falha necessária".(A paixão segundo G.H)
Clarice Lispector

Nenhum comentário:

Search box

Related Posts with Thumbnails

Arquivo