Sejam bem vindos pra dentro de mim. Aqui, estou expondo emoções, revelando minha alma, compartilhando com carinho... Publicando sentimentos. (Gil Façanha)

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Livro do desassossego



"E assim sou,
fútil e sensível,

capaz de impulsos violentos e absorventes,
maus e bons, nobres e vis,
mas nunca de um sentimento que subsista,
nunca de uma emoção que continue,
e entre para a substância da alma.
Tudo em mim é a tendência para ser a seguir outra coisa;
uma impaciência da alma consigo mesma,
como com uma criança inoportuna
um desassossego sempre crescente e sempre igual.
Tudo me interessa e nada me prende."

(Fernando Pessoa)
"O Livro do Desassossego"


terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Sem caminho certo



Ando seguindo os rastros do silêncio, por que não consigo encontrar explicação.
Ando vagando por becos sem saída, por não entender minha própria razão.

Ando buscando aventuras sem medidas, abrir minhas asas pra vida, sem saber bem aonde quero chegar.
Ando enfrentando todas as minha dúvidas, minhas certezas são imagens turvas, causadas por uma chuva que teima em me molhar.

Ando bebendo de bar em bar, tentando me encontrar no copo de alguma bebida.
Ando avistando minha alma vagando, com medo de fazer planos e assim vou sangrando minhas próprias feridas.

E vou andando por ai, parando de vez em quando pra me situar no lugar onde estou.
Mas entre tantos caminhos, querendo andar sozinho, só ando em desalinho...
Por não saber bem pra onde vou.


Gil Façanha

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Sofro (dueto)



Sofro 
de não te ver, 
de perder 
os teus gestos 
leves, suaves
a tua fala 
que o sorriso embala, 
a tua alma 
tácita, tão calma... 


Sofro por tua dor tão sentida
Por não fazer parte da tua vida
Em não dizer adeus por nunca te ver

Sofro, choro, sinto tua falta
Uma saudade desmedida,
 como quem diz adeus a vida
Um coração a entorpecer.

Sofro 
de te perder, 
por dias que parecem meses, 
durante meses que parecem anos... 


Sofro por sermos os culpados por nossos desenganos
Por nunca termos feito planos
Por nunca ter estado com você

Sofro por sentir todos os dias, a tristeza e a alegria
De ser de você sem te pertencer
Sofro por que te quero ao meu lado
E assim meio desesperado vou temendo enlouquecer.

Venha regar o jardim dos meus enganos, 
sentar nas árvores de tristes ramos


Venha alimentar minha vida com tua emoção
Vem fazer tua morada em meu coração
Pra descobrirmos que sem esse amor
A vida não tem muita razão.


Helton Hermes   Gil Façanha

domingo, 5 de dezembro de 2010

TEM QUE ACONTECER



Composição de Sérgio Sampaio


Não fui eu nem Deus
Não foi você nem foi ninguém
Tudo o que se ganha nessa vida
É pra perder
Tem que acontecer, tem que ser assim
Nada permanece inalterado até o fim
Se ninguém tem culpa
Não se tem condenação
Se o que ficou do grande amor
É solidão
Se um vai perder
Outro vai ganhar
É assim que eu vejo a vida
E ninguém vai mudar
Eu daria tudo
Pra não ver você cansada
Pra não ver você calada
Pra não ver você chateada
Cara de desesperada
Mas não posso fazer nada
Não sou Deus nem sou Senhor
Eu daria tudo
Pra não ver você chumbada
Pra não ver você baleada
Pra não ver você arriada
A mulher abandonada
Mas não posso fazer nada
Eu sou (sou só) um compositor popular

domingo, 28 de novembro de 2010

Fases da personalidade



Nos meus períodos de inconstância, todas as minhas certezas
Viram a convicção da dúvida, em questão de segundos.

Será que estou certa disso?

Convictamente.... Duvido. 

Gil Façanha



terça-feira, 23 de novembro de 2010

Uma batalha entre a covardia e a consciência.



Era um mundo justamente cruel ao seu olhar tenro, porém ofuscado pelo brilho ilusório  de tantas aventuras e pela busca infindável pelo novo que havia há tempos, envelhecido.
Partira da realidade vivida todas as ilusões de um mundo melhor. Nada parecia mais atraente do que encarar a realidade. Já sem ilusões, jogou-se nas estradas da vida, crendo que jamais tropeçaria em arrependimentos ou supostas consciências. Se a vida se apresentava suja, julgava ser possível banhar-se na lama.
Pra sua surpresa, a vida é quem nos leva, não o oposto. Algo de puro esbarrou em seu caminho. Não houve tropeços, apenas um encontro. O suficiente para fazê-lo repensar. Havia uma luz no fim do túnel, mas insistia em olhar pra trás. A escuridão de seus devaneios entorpecidos lhe causava ainda a curiosidade em descobrir ou reencontrar o que se escondia nos recantos de suas pegadas ainda acessas naquele beco escuro. E ele voltou... Retrocedeu... Encarou toda a sujeira com sorriso nos lábios. Julgava conhecer todos os recantos podres, e cujos mesmos, não teriam, supostamente, o poder de surpreendê-lo. Havia certo sabor em repetir alguns erros prazerosos e sem culpa. Mas algo surgiu com uma luz diferente. Havia uma emoção que o incomodava dessa vez. Era um sorriso inocente, que invade a alma da gente, e que faz qualquer ser de consciência parar pra pensar. Ele foi recrutado para a mais cruel, suja e injusta das batalhas. Foi como um exército inteiro ser convocado para a derrota de um único soldado desarmado. De alguma forma, aquela lama, aquele beco, tornou-se mais escuro que nunca, mais fétido do que jamais conseguiu sentir. Sua mente dividiu-se entre poder e dever. Sentir e fazer. Olhar, e perceber. Sentia-se enojado diante de uma batalha tão sem razão, as custas da inocência que ele mesmo parecia haver esquecido que ainda existia por aí. E mais!! Ele esbarrou na força da própria consciência que julgava  perdida pelos erros da vida. Uma palavra mostrou seu poder. Ele que sempre disse sim pra vida, descobriu a força e o poder do NÃO. Atirou a esmo, sem alvo fixo, sem qualquer direção, na tentativa desesperada de não ferir a inocência. Encarou outra guerra, feriu outro soldado... Esse, porém, de um exército inimigo, cujo sua perda não empobreceria tanto sua alma angustiada... Feriu a si mesmo, buscando a dor de qualquer outra escolha a se sentir capaz de destruir a esperança de um futuro melhor para quem ainda o tinha.
Porém, todas as armas ao chão, final de batalha, lhe trouxeram a certeza da derrota... Ainda que tenha salvo a esperança, sentiu que havia de certa forma, perdido. A dor em sua alma denunciou uma realidade castigante. Mas certezas destruídas sobraram ruínas de bom senso. Um pedaço de sua mente que foi construído com base sólida lhe causou a sensação que ele não havia, de todo, se corrompido no caminho. E isso, trouxe a tona uma afirmação já esquecida, ou ao menos, não tão cobrada. A  de que nem tudo vale a pena. Especialmente, se a alma não é mesmo tão pequena. 


Gil Façanha

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Humano X Homofobia



Hoje assistindo ao jornal, infelizmente pude ver mais um caso de homofobia. Mais um grupo de jovens alienados que se sentem agredidos pela diversidade sexual e agem fora do normal.
Desculpem, agora não deu pra calar. Onde afinal vamos parar?
Não temos mais direito de escolhas, precisamos agir iguais, sem direito de sermos reais.
Somos o que somos e todas as nossas escolhas trazem somente a nós, o que há de bom e de ruim... Desculpem se não calo vendo esse absurdo diante de mim.
Fico enojada com tanta hipocrisia, com tanta ausência de uma boa educação social. Afinal de contas, criamos um um ser humano ou adestramos um animal?
Me pergunto se essa ausência de bom senso se reflete dentro do próprio lar,
E quando lembro do que andam fazendo das famílias, me pergunto de novo aonde vamos mesmo parar.
A sociedade está aos gritos, pessoas precisando se esconder. Apenas devido ao nojento preconceito, parece proibido ser o que se deseja ser.
Diante de tanta intolerância, violência gratuita, comportamento surreal, acho incrível que esses loucos não se perguntem, quem está mesmo vivendo fora do ideal.


Gil Façanha

sábado, 13 de novembro de 2010

Saudosa querida


Eu a via como um ser diferente, a parte desse mundo obscuro onde somos obrigados a vagar por entre ruas e avenidas, afogando-se na mesa de um bar tentando escapar do óbvio à custa do previsível.
Ela era uma alma errante, buscando qualquer coisa que a tornasse edificante, sem se importar na verdade, com tudo que aos olhos de todos, parecesse importante.
Eu a queria por perto. Tinha a louca necessidade de alimentar-me das fraquezas dela. Havia em sua angustia disfarçada, uma luz contida, quase engarrafada nas lentes do seu olhar. E isso quase me cegava. Era algo guardado, revelado em oração, uma oração solitária, perdida em um circulo composto por seu corpo trêmulo de receios e suas tantas outras faces que viviam, amavam, e pecavam sem nenhum rodeio.
Ao passar pelas ruas, dedos em riste eram flechas de acusações... E ela sorria! Sentia-se livre, diferente dos demais, e sabia que em suas transgressões pecaminosas, era quase santo ser livre pra viver assim.
Muito se pensava saber sobre a vida dela, mas as pessoas confundem-se ao pensar que conhecer seus passos, seria o mesmo que revelar o conteúdo de sua alma. Seus sentimentos e emoções eram uma incógnita. Menos pra mim. Eu conhecia suas razões, eu sofria com suas buscas sem fim, eu estava lá... Ela era uma parte muito profunda de mim. Mas ela era a alegria de viver, enquanto eu era apenas um rosto triste na janela que nunca mostrou a ponta do dedo quando ela passava. Enquanto alguns a julgavam, eu a idolatrava. Talvez por que nunca soube ser livre assim.
Mas em algum momento, houve um descuido, um engano, uma placa errada na contramão. Os ventos a giraram talvez! Um caminho escolhido por não perceber a existência de outra direção. Ela sentia que alguma coisa não estava em seu devido lugar, mas acostumada a arriscar, seguiu o cheiro de uma nova emoção. Eu pude vê-la até o inicio daquele percurso, mas ela desapareceu no horizonte e por mais que tenha tentado, não a pude mais com os meus olhos alcançar.
Muito se fala por aqui. Alguns dizem que se perdeu no caminho e deve mesmo ter se transformado em mais uma vitima da cruel sociedade. Outros acreditam que possa ter criado juízo e ter virado mulher direita.
Quanto a mim, lembro daquela querida com uma saudade que me arranca a emoção e me leva as lágrimas. Sua essência virou tatuagem em meu olhar. Eu a queria perto de mim porque a coragem dela me despertava inveja, me encantava e me iludia. Prefiro acreditar que conseguiu.... Conseguiu novas emoções, grandes histórias e que ainda faz muito marmanjo rogar a Deus para prendê-la em seus corações.  Coisa que julgo utopia. Ainda lembro do seu sorriso generoso, tão contagioso que eu nem precisava saber do que se tratava... Eu apenas sorria junto. Ela sabia meu nome, e às vezes, fingia ser eu. Sorria... Na verdade, ela gargalhava com a possibilidade de se ver tão fora de si, tão diferente do que a fazia feliz. Em muitos de seus momentos, eu fui apenas um rosto infeliz na janela. Pra minha alegria deprimente, nunca precisei lidar com os erros dela, e pra minha tristeza, provavelmente, também nunca irei descobrir o que a deixava tão radiante.
Continuo aqui na mesma janela, e já não há nada de tão interessante pra ser visto há muito tempo. Apenas as vidas de sempre dentro de sua repetitiva, correta e limitada visão. Porém feliz... É o que dizem. Só sei de mim. Mas ela deve saber do mundo! Nos meus momentos nostálgicos, quando lembro da sensação de me imaginar livre como  ela, me encontro angustiada, pedindo por uma certeza de seus passos já sem rastros pra mim.Ah, saudosa parte de mim, dê-me ao menos o prazer de crer que tudo valeu a pena e que ainda és feliz. Deixe-me saber que tua vida foi, é, e será tudo o que você sempre quis. 


Gil Façanha

domingo, 31 de outubro de 2010

Amor destrutivo (Qualquer semelhança com a realidade, é pura verdade)


Ela queria evitar o absurdo e alcançar a porta que estava bem ali. Queria fugir daquele escuro enquanto a luz ainda podia ser vista. Não desejava ser detida pelo vicio mais poderoso... O vício de a ele pertencer.

Ela queria partir enquanto ainda havia forças, enquanto ainda podia pensar.  Antes que a loucura os dominasse, e ninguém os conseguisse salvar.
Ela dizia não para a inconseqüência, não queria que aquilo virasse doença, lutava pra não se entregar ao que estava tão propensa. A loucura dele, o levava pra longe, tão longe que ela não podia alcançá-lo. Ele insistia na tentativa absurda de enxergar diversão na autodestruição. Mas nem todas as histórias possuem um final feliz. Ela já não era mais a mesma, e ele deixou de ser tudo o que ela sempre quis. A casa agora está vazia... Apenas dois corpos jogados ao chão. Ela tentou sobreviver... Mas ele, não.

Gil Façanha

Apenas por que sinto..


Apenas por que sinto uma força estranha, uma atração medonha... Quero me entregar.
Apenas por que sinto uma dor no peito, daquelas que não tem jeito... Me ponho a chorar.
Apenas por que sinto que me perco por dentro, que me escondo por fora.... Me ponho a sonhar.
Apenas por que sinto uma saudade imensa, daquela parte propensa.... Começo a me questionar.
Apenas por que sinto que não sou o que quero, e há momentos em que me desespero.... Consigo rezar.
Apenas por que eu sinto que queimo por dentro, e tantas coisas repenso... Eu temo pecar.
Apenas por que sinto que sou tantas em mim, e sem saber ser assim... Acho absurdo me classificar.
E assim como "o que não tem vergonha, nem nunca terá, o que não tem governo, nem nunca terá... O que não tem juízo"¹... Ainda será.... Apenas por que sinto.


Gil Façanha

¹ Trecho da música "o que será que será" de Chico Buarque

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Por uma razão ilógica



Por alguma razão ele não se percebia o suficiente. Ele sabia o que procurava, mas não reconhecia ao encontrar. Ele teve, em muitos momentos de sua vida, o que poderia ter sido perfeito, se pra ele, não fosse apenas comum. Ele queria mais. Agente sempre quer.
No início, tudo se resumia em intensidade. Tudo virava poema. Tudo parecia com o que ele mais queria. Ao menos naquele momento. Com o tempo, as imperfeições que cada ser constrói e conserva dentro de si, são expostas, são reveladas. Ele buscava alguém perfeito, mas na loucura de acreditar que a perfeição existia, encontrava no caminho, a certeza da ilusão. Todo momento era intensamente vivido... Ele sabia que o momento era tudo o que ele tinha. Mas as angústia dos dias que se tornavam meses , trazia pra ele, a certeza de que a felicidade não se prolongava em suas descobertas. Talvez por suas emoções serem tão razões, não era possível se entregar tanto.  A prisão por opção, nunca fez parte de seu menu existencial. Ele não queria fazer sofrer... Mas na busca por ser feliz, desencantava, com sua inconstância, os mais belos sorrisos que o seu amor ilusório podia causar.
Por alguma razão, era difícil vê-lo realmente feliz. Parecia haver motivos para vê-lo sorrir. Mas creio que essa é uma certeza só dele. Muitos julgavam conhecê-lo, mas não sei se alguém o alcançou um dia. Ele não era um mistério! Uma incógnita! Ele era apenas sua própria razão. Tão dele, que se tornava impossível compartilhar de seu entendimento. Por alguma razão, ele é só, por opção. Por alguma razão, ele gosta de ser assim. E provavelmente, por alguma razão... Ele ainda não tenha percebido que não precisa ser entendido. Ele precisa apenas se perceber, sem pensar que necessita que o entendam. Por que na verdade, ninguém liga, ninguém se importa... Ninguém percebe o que se é por dentro... Por alguma razão ilógica.

Gil Façanha

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Louca na vida



“Vida louca vida... Vida breve” já dizia Cazuza. “Já que eu não posso te levar, quero que você me leve”...
Nas andanças sem sentidos, há sentido em andar assim. Vou procurando um lugar onde eu me encontre, antes que tudo se perca de mim.
Vou sorrindo abertamente, vou mostrando o branco dos meus dentes, pra te dizer que sou feliz. Mas vou vivendo feito louca, e aproveito pra beijar na boca. Essa é a vida que eu sempre quis.
Por baixo dessa pele, há emoções que te repelem por não saberes nada de mim.
Mas te confesso sou carente, e adoro pensar na gente e que levamos a vida assim.
Dos meus amigos quero a presença, quero distância da ausência, quero doar o melhor que posso ser.
 Dos inimigos quero a coragem, de não falar tanta bobagem, e o favor de me esquecer.
Quero morar na lua, ter estrelas como vizinhas. Mandar recado pro pequeno príncipe, contar pra ele que tenho uma flor só minha.
Vou viajar, voar no espaço, me sentir feito cometa em colisão. E desse jeito, louca na vida, eu vou andando na contramão.


Inspirado em Socorro (Help)

Gil Façanha

domingo, 24 de outubro de 2010

Na veia



Virou vício estar em teus braços
Todas as noites te amar como açoite,
E te cansar de prazer

Virou vício te olhar olho no olho
Me encaixar em teu corpo e ser só de você

Quero sim, esse viço que virou vício em mim.
Entra em minhas veias, 
tece em mim tuas teias
E me prende em você


Ah, meu vício, doce mania de te ter
Ser tua da noite ao amanhecer
Dessa química me entorpecer
Sem pensar em me arrepender

Gil Façanha

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

UM CORAÇÃO PARA LAURA ZANQUETTIN


UM CORAÇÃO PARA LAURA ZANQUETTIN

Hoje o céu abriu um sorriso

um anjo falou comigo: Ei Laura, quer um sonho?
Sim, eu quero um sonho.
Eu quero o direito de poder sonhar
o direito de poder viver.
Tem um mundo colorido se descortinando aos meus olhos
e eu não posso fazer parte desta aquarela...
Não me faltam tintas
e nem pincéis... o que me falta é um coração!
Meu coração esta doente
quase morrendo e eu preciso desenhar um coração novinho
mas não sei como fazer... eu não sei como fazer!
Preciso que me abram o peito feito uma rosa vermelha
e lá dentro, bem no fundo
alguém plante um coração novinho
Um coração/rosa em botão
que um dia vai florir e me fazer sorrir
enquanto vou colorindo o mundo com meus pincéis mágicos.


Eu sou Laura Zanquettin, moro em Campina Grande do Sul, na região metropolitana de Curitiba no Paraná.
Tenho um problema cardíaco que me impede de ser uma criança normal. Estou na fila para transplantes, mas a demora tão grande que temo não poder esperar. Preciso de um coração VIVO dentro do meu peito. Preciso viver!!
A doação de órgãos é um gesto de amor.


http://www.sbt.com.br/jormalismo/noticia/?C=1120

http://www.rpctv.com.br?parana-tv/2010/10/cai-numero-de-transplante...

http://www.youtube.com/watch?v=_iSyxB3EtsU

http://www.doareviver.com.br/

O "para sempre" existe



Ela sempre o espera. Mesmo nunca parando pra esperar. Ele sempre volta... Sempre vai voltar.  Ele sabe que ela é porto seguro, é um mundo diferente, é uma paz gritante... É a paixão latente.
Quando ele precisa de fuga da sua loucura habitual, ele lembra dela. Aquela mulher que sempre o acolhe, que o faz sentir coisas fora do normal.
Ela sabe do que ele precisa, mas sabe que ele não vem pra ficar. Ele precisa de carinho, ela representa o melhor ninho e ele precisa dela pra sonhar.
É um amor diferente! É um forte querer, e quando estão juntos, sentem a sensação de tudo poder. Às vezes ele chega triste, pra baixo, procurando uma razão pra viver. Todas às vezes ela está tranqüila, está pra ouvi-lo, certa em amá-lo sem medo de se perder.
Ele a busca incansavelmente. Ele sabe que ela é diferente. Ela é louca pela inconstância emocional dele. Nem tenta fugir... Quando o recebe, já espera a hora pra se despir. Ela o ama incondicionalmente, exatamente por ele também ser diferente... E ele sabe que é amado assim.
Nos momentos que estão juntos, a felicidade é um sentimento que persiste. E nessas idas e vindas.... Fica a sensação que o “para sempre" existe.

Gil Façanha

Nostalgia de mim mesma


Ontem à noite decidi vagar pela cidade e levei comigo, algumas amostras de saudade.
Entrei em um desses bares que normalmente desconheço, pois não fazem parte do meu cotidiano. Busquei com os olhos uma mesa no fundo daquele ambiente. Não iria querer ser incomodada. O lugar era legal! Observei tudo. As pessoas, a forma como os garçons atendiam. Como de costume, primeiro observo, me encaixo, e só depois relaxo. Gosto de perceber onde estou. Não sou nenhuma conhecedora de bebidas, já que beber não é bem um costume meu. Mas eu queria algo que combinasse com a sensação nostálgica que me invadia aquela noite. Pedi um vinho. O garçom me trouxe a carta de vinhos para que eu escolhesse mas eu não conhecia quase nenhum!rsrs.. Então vi um nome que me parecia familiar e apontei dizendo "esse". Nem sabia que gosto aquilo teria. Normalmente é minha irmã que entende bem disso... Eu apenas confio no gosto dela e a acompanho. Dessa vez, apenas arrisquei qualquer coisa. Afinal eu só queria algo que combinasse com meu estado de espírito. Nunca me importei mesmo com certas convenções ou etiquetas... Adoro mandar tudo pro inferno. Não finjo ser o que não sou ou ter o que não tenho (e isso se refere a conhecimentos também). O garçom retornou com uma garrafa escura, bonita eu pensei...rsrs... Entendo tudo de vinho..kkkkk. Sorri e disse... Ah, vai essa mesmo. Confesso que no primeiro gole aquele troço travou! Era um vinho tipo demi-sec...kkkkkk... Eu não tinha a menor idéia de que sabor tinha aquilo. Bom, mas eu iria tomar de qualquer forma. Não podia me dar ao luxo de fingir que poderia devolver, pedir outra, e ainda assim pagar as duas. Nunca pude.... Mas e daí? Eu também não ligo pra isso. Só queria um momento só meu. E eu estava tendo. Havia um envelope que levei comigo e retirei umas fotos de dentro. Espalhei sobre a mesa e fiquei observando. Vi a imagem de uma criança de mais ou menos quatro anos de idade. Tinha um sorriso que me fazia sorrir. Lindo! Inocente como toda criança dessa idade. Eu a vi tão pura, tão distante da atual realidade desse mundo maluco. Fechei os olhos e a vi correr,  cair, chorar, se aconchegar nos braços de sua mãe. Brincar com seus irmãos e amigos, e a vi lembrar em alguns momentos que nunca aprendeu a pronunciar a palavra PAI. Mas eu não a via triste. Ela nem parava pra se questionar isso. Esse questionamento só viria anos depois. O próximo gole daquela bebida me faria abrir os olhos e olhar para a outra imagem. Fiz aquela cara de "que merda amarga é essa?"...rsrsr.. E continuei...
A imagem seguinte era de uma adolescente. Corpo esguio, cabelos longos, pele branca e uma roupa que se repetia sempre, pela falta de opção. Fecho os olhos mais uma vez, e lembro-me bem dela. Cheia de inocência ainda. Acho que nessa foto ela tinha uns 14 anos de idade. As garotas de hoje com essa mesma idade, já possuem comportamentos bem diferentes do que aquela menina tinha. Eu a vi se apaixonar pela primeira vez, e a vi chorar pela primeira vez ao descobrir que se apaixonar não era um momento único... Era apenas um momento. Dentre tantos que possivelmente ainda viriam. Lembro que era difícil pra ela, entender o porquê que ser sincera, transparente, trazia tantas mágoas. Lembro da sensação de estar sendo obrigada a mudar. De descobrir que o mundo não é justo, e lembro muito bem da sensação de descobrir que a vida é apenas a chama de uma vela. Ela descobriu isso ao perder seu primeiro namorado em um acidente de moto. A vida se revelava implacável.
Muitas coisas se passaram desde então. Alguns amores, algumas dores.... Nada incomum. Lembrei de muitos amigos que se foram em outras direções. Pessoas que a chamaram de irmã... e depois a apunhalou olhando-a nos olhos. Sem medo ou vergonha de exibir tamanha covardia.
Outro gole... Outra cara feia...rsrs. Puts... Nunca mais tomo isso.
Mas o gosto amargo do vinho que insistia em travar na garganta, combinava com esse momento. Peguei um pedaço de papel e já havia levado uma caneta. Sempre ando com uma. Comecei a rabiscar qualquer coisa que nem lembro o que foi. Deixei pra trás. 
Havia uma terceira foto... Uma mulher. Me parecia familiar. Ela tinha meu rosto, meus olhos, meu sorriso, e eu tinha a louca sensação de não ser eu. Mas lembro bem dela. Por incrível que pareça, AINDA havia muita inocência naquele olhar. Uma certa pureza mesmo. Como havia sentado de frente a uma janela de vidro, pude ver o meu próprio reflexo embaçado. Fitei novamente aquela foto. Como ela era feliz! Ingênua até. Fechei os olhos mais uma vez e lembrei-me bem. Vi tantos sorrisos por coisas tão simples, tão ao alcance. Vi alegria até nas lutas. Era bom vencer cada problema. 
Abri os olhos, e mais um gole.... E mais um PUTA QUE PARIU, QUE MERDA É ESSA?! kkkkkk... Eu conseguia rir disso. Eu estava me divertindo com a minha péssima escolha e com meu pouco dinheiro. Pouco demais pra pedir outra coisa. Olhei meu reflexo novamente, e sorri. Coloquei a mão no rosto e sorri com vontade. O ambiente era tipo a meia luz, então, ninguém iria notar que provavelmente eu era só uma maluca rindo sozinha em uma mesa no canto de um bar onde eu nunca havia estado. 
Eu reconhecia todas aquelas fotos, todos os momentos, todas as sensações. Eu tenho uma ótima memória para fatos. Eu sempre lembro de tudo que vivi e tudo o que disse, e tudo o que ouvi. Não há muitos enganos nisso. Eu só não conseguia entender ou reconhecer aquele reflexo no vidro da janela. A minha quarta imagem, o meu reflexo embaçado, foi o que me levou até aquele lugar. Não sei bem que transição é essa, mas confesso que não gosto dela. Não gosto de me sentir confusa, insegura e o pior de tudo... Não gosto de não me reconhecer tão bem. 
Virei a última taça como se desejasse me impor algum castigo..rsrs. O garçom, muito educado por sinal, talvez por eu ser mulher e estar sozinha, serviu o vinho novamente. Não posso negar que dei uma boa gargalhada que o coitado com certeza ou não entendeu, ou achou que eu já estava bêbeda com duas taças de vinho..kkkkkk. Eu só não suportaria outra... Por favor... Não me torture tanto (foi o que pensei em dizer..rsrs). Suspirei profundo, peguei a taça, tomei mais um gole, fiz mais uma cara de quem estava odiando e pensei: Ah, eu não mereço tanto castigo assim. 
Pedi a conta e sai daquele lugar com a sensação de que o vinho sugou todo o líquido do meu corpo. Eu só queria água. Caminhei um pouco na areia da praia e em um determinado momento, eu olhei o relógio, e vi que já era hora de voltar pra minha vida real. Não adianta tentar entender nada. Eu só precisava desse momento. O resto... Só o tempo irá explicar. Mas não posso negar que sinto uma enorme saudade de mim mesma. E que ainda não reconheço muito bem essa estranha que se exibe sorridente no reflexo do meu espelho.

Gil Façanha



"Acordei hoje com tal nostalgia de ser feliz. Eu nunca fui livre na minha vida inteira. Por dentro eu sempre me persegui. Eu me tornei intolerável para mim mesma. Vivo numa dualidade dilacerante. Eu tenho uma aparente liberdade mas estou presa dentro de mim". (Clarice Lispector)

(Apenas quando terminei de escrever esse texto, na busca por uma imagem e um título, encontrei esse texto de Clarice Lispector. Como não me encantar com essa mulher, se eu adoraria ter sido a pessoa que escreve o que ela parece revelar da minha própria alma?)

terça-feira, 19 de outubro de 2010

A Queda ou Apologia Ao Instante Presente



Eu era como uma personagem de teatro de fantoches, mas rompi os fios que ligavam a guia que manipulavam os movimentos, as ações preconcebidas da personagem. Eu interpretava ninguém!
Acostumado a ser guiado, no começo cai sem sustentação. Estranhei. Cai e na queda quebrei alguma coisa. Não sei bem o quê, mas era coisa necessária para eu saber se um dia eu fui alguém. Tamanho foi o susto quando descobri que o que eu era não passava de um boneco de fantoches.
Uma pré-vida torpe e sem significância. Eu era a própria manifestação do nada. Manifestar nada? Sim, é possível não ser.
Quando os fios são rompidos conscientemente há tempo para reorganização das idéias, das coisas primeiras, daquilo que chamamos de personalidade. No entanto, o rompimento abrupto e simultâneo resulta numa queda livre, aonde o chão é o único apoio sólido e confiável para ensaiar as primeiras engatinhadas.
Engatinhar livremente é demasiado mais prazeroso a correr aprisionado.
Engatinhar desprovido de preceitos é infinitamente mais satisfatório do que correr preso a conceitos vãos.
Volta-se ao inicio, aonde não há limitações. Nada é ditado. Quando o “estar” faz o “ser”, e as manifestações... A existência... É demonstrada na ação.  No aqui e agora.
A intensidade da emoção marca o presente, eternizando-o.
O momento emoldurado na mente... Na memória... No inconsciente. Alimentando o arquétipo da coragem.
Coragem de romper com o vigente, com o comum.
Coragem de cortar os laços que até então ditavam as ações.
Coragem de voltar ao inicio.
Coragem de não ter o passado como um fardo, tampouco o futuro como uma promessa.
Coragem de apagar, de negar tudo que não faz parte do agora. Coragem de manifestar uma pequena verdade resultante de uma reflexão honesta.
Coragem de dizer que o saber é inexistente.
Coragem de dizer que ação é ilusória.
Coragem de dizer que o agora já foi.

Rafael Rocha

sábado, 16 de outubro de 2010

Por que haveria de querer minha alma..



E por que haverias de querer minha alma
Na tua cama?

Disse palavras liquidas, deleitosas, ásperas
Obscenas, porque era assim que gostávamos.
Mas não menti gozo prazer lascívia
Nem omiti que a alma está além, buscando
Aquele Outro. 
E te repito: por que haverias
De querer minha alma na tua cama?
Jubila-te da memória de coitos e de acertos.
Ou tenta-me de novo. 
Obriga-me

Hilda Hilst

Apenas por hoje



Que sensação é essa que parece me consumir? Estou cheia do mundo! Não cansada... Digo cheia, lotada, até a borda do que eu sou. Está tudo aqui, em mim. Vou explodir.
Há uma necessidade de entendimento, compreensão sem lamentos, lágrimas sem nenhuma explicação. Quero uma visão de 360º...Tudo bem, posso me contentar com 180º. Dá pra ser então?
Se não pode ser como eu quero, e nem pode ser como aceito, então pra que me perguntam o que quero?
Quero é me desfazer das regras! Quero me desfazer do que apenas é possível! E quem disse que o impossível me atrai? Eu só quero o MEU possível.
Não quero pensar o que pensam de mim. Não quero temer o que dirão. O que farão. E daí para o que são?
Quero um momento rebelde sem causa, quero correr na chuva descalça, quero falar um monte de palavrão, quero comer usando somente as mãos.
Quero ultrapassar todas as medidas, quero fazer um monte de merda na vida e sem tirar o pé do chão.
Quero ser o TUDO o que sou... sem receio, sem pudor, sem nenhuma classificação.
Quero mandar tudo pro inferno e amanhã, quando acordar eu quero ter a sensação de que ta tudo bem, que apesar dos pesares eu não magoei ninguém... Por que tudo o que fiz, foi somente meu próprio mal... Foi meu próprio bem.


Gil Façanha

Porta aberta


Deixei a porta aberta pra você entrar. Fingi que foi esquecimento, mas é só minha esperança de ver você voltar.
É bem verdade que muito mudou na tua ausência. É bem verdade que alguns dias foram noites, porque em certas noites eu ainda sentia tua presença.
Te procurava pelos cantos, lembrava do quanto me revelei pra esse amor. Acho incrível e absurdo, como algumas grandes emoções podem se transformar em dor.
Fui intensa a cada hora, o mais verdadeira que eu pude ser. Me entreguei de corpo e alma, provei do sabor que tinha você.
No último encontro, a despedida, eu pude ver no teu olhar! Tua emoção estava perdida, e eu não pude evitar.
Foi adeus sem lágrimas nos olhos. Não sentia vontade de chorar.
Quando percebi a ausência daquele brilho, não conseguia nem falar.
Me lembrei da nossa história, de tudo que vivemos até então. Me perguntei se todos aqueles momentos, foram sentidos em vão.
Me chamavas de meu anjo e contigo eu parecia voar. Eu mergulhava em teu corpo e de prazer me fazias flutuar.
Estou me recuperando, tentando fazer o melhor que posso. Mas não é fácil te arrancar  do peito... Me dói, mas eu forço.
Nos teus braços me senti menina, fêmea, mulher... Hoje sinto-me apenas um anjo... Que ainda não consegue ficar de pé.



Inspirado na minha amiga "Doce Pecado"

Gil Façanha

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