Sejam bem vindos pra dentro de mim. Aqui, estou expondo emoções, revelando minha alma, compartilhando com carinho... Publicando sentimentos. (Gil Façanha)

sábado, 29 de maio de 2010

Apenas... Nada.




Não havia naquele momento nenhuma intenção de ser notada e, portanto, qualquer questionamento sobre o seu silêncio não passaria de pura perda de tempo. Diante da platéia anciosa por uma atuação verbal do que há de mais intrigante em um ser dual por natureza, não seria de espantar que sua postura distante viesse a causar diferentes julgamentos. Dominante por natureza sentia-se naquele instante, dominada... Pela necessidade do silêncio, da reflexão.
Não desejava sorrir ou chorar, não estava alegre e nem triste. Pretendia mesmo era ficar um tempo, invisível, simplesmente estar quieta. As vezes é tão bom um momento assim!
As expectativas antes naturalmente geradas foram substituídas por indagações desnessárias que a irritavam levando-a a responder exatamente como julgara necessário, porém, apenas em sua mente, pois sempre lhe foi um hábito respeitar certas convivências e tentar respeitar tantas diferenças com as quais esbarramos todos os dias em nossas vidas.
Engolindo a irritação gerada por questões impróprias, já quase ultrapassando o limite da sua paciência, levantou-se e respirando fundo, expôs um breve e simples sorriso afim de não parecer tão rude, e como quem espera ser por apena um instante, compreendida... Lentamente caminha, pede desculpas, e se vai... Pensando naquele instante, como estar diante do mar em uma noite quente, poderia ser perfeito.

Gil Façanha

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Por não estarem distraídos

Clarice Lispector


Havia a levíssima embriaguez de andarem juntos, a alegria como quando se sente a garganta um pouco seca e se vê que, por admiração, se estava de boca entreaberta: eles respiravam de antemão o ar que estava à frente, e ter esta sede era a própria água deles. Andavam por ruas e ruas falando e rindo, falavam e riam para dar matéria peso à levíssima embriaguez que era a alegria da sede deles. Por causa de carros e pessoas, às vezes eles se tocavam, e ao toque - a sede é a graça, mas as águas são uma beleza de escuras - e ao toque brilhava o brilho da água deles, a boca ficando um pouco mais seca de admiração. Como eles admiravam estarem juntos! Até que tudo se transformou em não. Tudo se transformou em não quando eles quiseram essa mesma alegria deles. Então a grande dança dos erros. O cerimonial das palavras desacertadas. Ele procurava e não via, ela não via que ele não vira, ela que, estava ali, no entanto. No entanto ele que estava ali. Tudo errou, e havia a grande poeira das ruas, e quanto mais erravam, mais com aspereza queriam, sem um sorriso. Tudo só porque tinham prestado atenção, só porque não estavam bastante distraídos. Só porque, de súbito exigentes e duros, quiseram ter o que já tinham. Tudo porque quiseram dar um nome; porque quiseram ser, eles que eram. Foram então aprender que, não se estando distraído, o telefone não toca, e é preciso sair de casa para que a carta chegue, e quando o telefone finalmente toca, o deserto da espera já cortou os fios. Tudo, tudo por não estarem mais distraídos.




XXXXX

"Terei toda a aparência de quem falhou, e só eu saberei se foi a falha necessária".

domingo, 23 de maio de 2010

Amor mitológico



Nesse mundo mitológico onde vivemos o nosso amor
Nossas semelhanças nos aproximam
As diferenças viram dor


Te acompanho por sete mares, sempre tão perto de ti
Te abraço, sinto medo e tu dizes: “Estou aqui”


Seguimos a correnteza, sempre lado a lado
A viver nas águas dos oceanos, estamos condenados


Por nos julgarmos acima do bem e do mal, sendo cada um, um ser carnal
Pagamos o nosso preço, pelo orgulho descomunal.


Já fostes homem e eu mulher, amor insano a luz da lua
Condenada a não ter teu sexo, ainda assim eu serei tua


Sinto falta do teu corpo, dos gemidos de prazer
Tua pele sobre a minha, nunca mais poderei ter


Desejando ao menos por um instante, te amar na praia, rolar na areia
Seguimos em nosso sofrimento
Meu amor é golfinho ... E eu, sereia.


Gil Façanha

sábado, 15 de maio de 2010

Quando olho para mim não me percebo.



Fernando Pessoa

Quando olho para mim não me percebo.
Tenho tanto a mania de sentir
Que me extravio às vezes ao sair
Das próprias sensações que eu recebo.

o ar que respiro, este licor que bebo,
Pertencem ao meu modo de existir,
E eu nunca sei como hei de concluir
As sensações que a meu pesar concebo.

Nem nunca propriamente reparei 
Se na verdade sinto o que sinto. 
Eu serei tal qual pareço em mim? 

Serei tal qual me julgo verdadeiramente?
Mesmo ante as sensações sou um pouco ateu,
Nem sei bem se sou eu quem em mim sente.

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Não consigo escrever!!


No momento algo me cala, me arranca a inspiração.

Simplesmente não consigo escrever! Ou talvez simplesmente não deva.


Então... Apenas sinto.

Gil Façanha

quinta-feira, 6 de maio de 2010



Música que me foi dedicada por uma grande amiga que eu consegui conquistar.
Obrigada Ziária... Você também é um presente de Deus pra mim.

Anjos na terra, são os verdadeiros amigos que estão sempre empenhados em reaver o nosso sorriso perdido, e quando não conseguem, simplesmente choram com você, apenas pra te dar a certeza, que não importa o momento e as razões... Eles estarão ao nosso lado pra compartilhar qualquer emoção.
Gil Façanha.


domingo, 2 de maio de 2010

O vento que me leva


O vento que me leva, tem ares de tempestade. Arranca meus galhos, força minha raíz, e sinto-me desmontar diante de tanta força.
Sei que estou indo, sem saber onde vou parar. No entanto, quero que me leve, me desfaça, me abuse... E quando de mim se cansar... Me largue ao menos em um solo fértil, próprio para as espécies como a minha. Não quero mais ser apenas uma flor... Quero ser árvore frondosa, de sombra boa e de raízes profundas.
Quero um solo rico da mesma sensação, dos mesmo anseios, da mesma compreensão, da mesma vontade de viver. Que o vento me leve sem pena, e me force a crescer.

Gil Façanha

Enjoy the silence


O mais louco de você sentir-se amadurecer, é chegar certos momentos em que você se sente um E.T. Derrepente parece que você consegue entender tudo e todos, ao mesmo tempo em que ninguém consegue entender O QUE É você. As pessoas normalmente se assustam com a minha capacidade de completar suas frases, de entender seus pensamentos, suas idéias, suas atitudes (até as que parecem para todos, sem sentido). Eu tenho sentido uma mudança profunda em meu ser. Psicologicamente, espiritualmente, emocionalmente... E nem sempre é fácil lidar com isso, mas eu preciso viver isso. Essa é a MINHA fase. Essa lapidação me causa uma profunda  tristeza em alguns momentos. É muito bom sentir que seus amigos confiam em você, na sua capacidade de compreendê-los, na sua maturidade, sem medo de serem julgados pelo que fizeram ou pensaram, ou disseram... Mas é muito estranho quando é você que precisa de um desabafo, e tudo que está tão claro na sua mente, parece tão sem sentido para os seus amigos. E aí, você só escuta de volta que “isso passa”. Wow... Profundo! Enfim... Ninguém entende o que eu sinto mesmo. É melhor apenas ouvir.

XXXXXXX

É melhor calar o que tenho gritado, pois estou perdendo a voz e ninguém me ouve.
É melhor apagar o que tenho escrito, pois estou perdendo a criatividade e ninguém me lê.
É melhor não tentar desenhar, já que nunca fui boa nisso, e ninguém poderia mesmo compreender.
É melhor esquecer as rimas, as prosas, as poesias, ninguém entende um poeta por aqui.
É melhor buscar a ciência com suas explicações lógicas... Já cansei dos meus próprios gráficos, do mapa já rasgado, o X que ninguém achou.
É melhor não tentar entender pra onde a vida me leva... Onde quer que seja, eu vou.

XXXXXXX

As vezes só conseguimos entender o caminho que estamos percorrendo, quando chegamos ao fim da estrada. Aí olhamos para traz e finalmente, conseguimos compreender o por que de passarmos por tudo o que passamos. Nossa!! Que estrada longa.

Gil Façanha

sábado, 1 de maio de 2010

Procurando... Me.



Dentro dessa desorganização mental, parece-me que procuro algo que não lembro onde coloquei, ou mesmo se guardei! Será que joguei fora achando que nunca me seria útil? As vezes isso acontece! Aí a vida nos traz um momento que te faz lembrar que você tinha algo que te seria útil agora, mas você se desfez por ser imediatista demais. Já revirei as caixas, gavetas, olhei no armário e até na minha caixinha particular, onde guardo, em segredo de cofre, alguns impagáveis valores. Não está lá! Não lembro onde deixei ou se algum dia esteve mesmo em minhas mãos. Se ao menos eu conseguisse lembrar do que estou procurando! Só sei que está fazendo falta. Machuca com ponta afiada, como se não me permitisse esquecer o preço da impulsividade, da inconsciência em não ter conseguido imaginar, que algumas coisas que parecem inúteis em certos momentos, podem vir a ser imprescindíveis em outro.
Apareça! Será que vale a pena apelar pra são longuinho? Três pulinhos pagariam o preço desse achado?
Acho melhor parar por hoje. Uma vez, uma amiga achou, quando menos esperava, algo que ela procurava a muito tempo. Quem sabe isso aconteça de novo.
Daqui pra frente, vou valorizar um pouco mais, até as coisas que me parecem em algum momento, sem tanto valor. Quem sabe guardando tudo... Eu não sinta falta de mais nada.

Gil Façanha

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