Sejam bem vindos pra dentro de mim. Aqui, estou expondo emoções, revelando minha alma, compartilhando com carinho... Publicando sentimentos. (Gil Façanha)

sábado, 26 de novembro de 2011

No presente o passado

PRAÇA AUGUSTO SEVERO – NATAL -  RN
Politeama, primeiro cinema de Natal (1912)
Fonte: http://blogdoborjao.blogspot.com

Texto inspirado nas histórias e imagens enviadas por um grande amigo.



Que bela época foi aquela, onde minha alegria atravessava os antigos portais que viraram história. Românticos incuráveis, fervorosos seresteiros apaixonados, embriagados pela brisa gélida que lhes trazia a necessidade do tocar a mão da amada, e esse toque singelo era capaz de aquecer o corpo inteiro.

Ah, saudoso tempo onde os prazeres eram simples, onde a conquista do boêmio era mais bela que o sucesso enfim. Os corações enamorados desabrochavam com a primavera, e as flores era o símbolo dos apaixonados.
Ruas de tijolos brancos, bondes, novos grandes casarões pomposos que exibiam a riqueza de poucos... Hoje, tantos se tornaram  lembranças esquecidas de um tempo que a idade não leva de mim, e nem as possíveis limitações do corpo e da saúde teriam minha permissão consciente de roubar-me os melhores momentos em que fui tão feliz.

A nostalgia me açoita... Mas, em contrapartida, me devolve o sorriso antigo, aquele mesmo sorriso que hoje só existe em minhas memórias. Mergulho nas presentes letras, rabiscando em um pedaço de papel traços de recordações que me são tão presentes, tanto, que fazem de mim um reflexo vivo de um tempo que algum dia, será comentado apenas através das suposições de quem nunca esteve lá.

Por hora, ressurjo do passado como quem busca ar após um mergulho profundo naquilo que um dia foi. Respiro fundo, olho a minha volta, e as belezas de hoje não abrandam minha saudade que me alimenta. Essas lembranças fazem de mim um ser solitário, mas, dentro daquilo em que a vida me transformou, sou feliz por ter tido a alegria plena de viver em um tempo onde o amor era puro, simples, e onde sonhávamos com a possibilidade do eterno. Aqueles antigos bancos de praça foram testemunhas de tantos sonhos meus. E agora, diante desse céu que amanhece, vou anoitecendo meus desejos inúteis, resguardando meus anseios já tão secretos, e sigo as horas, sem outra opção de ser. 

Esta noite tive a certeza de que aquela época que se foi não voltará a cruzar meu caminho. Os boêmios e as serestas envelheceram comigo, e há muito, a beleza da simplicidade se extinguiu.  Agora lembro bem porque deixei de ser um notívago. Minhas constatações me arrancaram do mundo atual. Sinto como se não pertencesse a ele. Vou para casa... Preciso dormir. O que buscava não existe mais, já se perdeu. E introspectivo caminho sem poder vislumbrar uma possibilidade que seja de voltar a ser eu.


Gil Façanha

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

O tempo cura



Desvinculei minha alma da tua.
Libertei meu coração das lembranças,
Desabriguei-me dos desejos proibidos,
Dos riscos apenas por mim, vividos.

Acabou-se o vício.... o viço...
Aquele prazer em te pertencer.
Procurei por dentro, aquele desejo insano,
Aquele querer  sem tamanho,
A antiga necessidade de você.

E abrindo o peito com minhas próprias mãos,
Para ter certeza da falta daquela antiga emoção,
Dei-me conta de um imenso vazio.
Foi então que nesse instante,
Percebi com alegria, que a falta do teu calor,
Já não me causa aquele frio. 

Gil Façanha

domingo, 20 de novembro de 2011

Pensamentos noturnos




Interroguei-me, nesta noite, se haveria de encantar teus olhos,
Se para você  minha alma eu despisse.
Imaginei se serias capaz de ver além do corpo lembrado,
Do perfume apreciado,
Do agradável diálogo passado.

Que faria essa força estranha, se o acaso o reduzisse,
A uma tamanha angústia, que nada poderia ser dito, ou explicado,
Por ser degustado na dor profunda das tuas entranhas?

No despertar dos meus sentidos, imaginei tua voz aos meus ouvidos
Pedindo calma, como quem sufoca
O pensamento  impuro e o desejo da alma.

Mergulhei na ilusão do eterno, na possibilidade do improvável,
Perdi-me nos teus versos de paixão e febre...
Mas, ao ressurgir no espelho d’água do meu oceano de emoções,
No silêncio noturno das minhas razões,
Despertei do sonho para essa irônica realidade,
E suspirei com ausência de um sorriso que seja,
Ao perceber que a vida sem pena, fazia piada de mim.


Gil Façanha

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Nosso menu



Havia um grito preso na garganta,
Com uma força tanta,
Que lhe sufocava o som da voz.
Era a saudade das verdes veredas,
Por onde outrora andara sua ilusão...
Era a visão das secas folhas que restaram ao chão...
Era a morte do amor, posta à mesa...
Servida em amargas fatias de indignação. 


Gil Façanha

domingo, 13 de novembro de 2011

Esqueci teu nome!!




Foi estranho te buscar na memória...
Tu que por tanto tempo me preencheu.
Havia há pouco, as cicatrizes da nossa história,
A certeza que teu amor já não sou eu.

Deixei em minha saudade, tua lembrança acostumada,
Recordações que me tomavam de refém.
Aprisionavam minha esperança algemada,
A essa crença que sem você não sou ninguém.

Sangrei o peito no momento da partida,
Na despedida,  minha voz silenciou.
Teu frio golpe deixou minh’alma tão ferida,
Que parecia ser eterna aquela dor.

Mas o tempo, meu querido, a sua maneira...
Trouxe consigo uma verdade a me espantar:
Que ao final da dor cruel e derradeira,
Até teu nome, ele tratou de me levar.


Gil Façanha

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Arrependido




Tu retornas como quem cede ao vício,
E diante do precipício, curva-se para cair de amor.
Sussurras o lamento daquele adeus...
Arqueado pela saudade, com olhar furtivo,
Lastima a partida sem razão.
Sôfrego, rendido, assume a beleza do pecado,
A dor e a delícia de me ter em tuas mãos.


Gil Façanha

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Teu adeus



Hoje a palavra acordou em branco,
A voz despertou em silêncio.
Hoje a emoção está distorcida nesse eco,
Ricocheteando nas paredes de um vazio que me encara.
Hoje o sol cansado se cobriu de nuvens,
E a chuva teima em açoitar meu dia.
Hoje me falta aquele sorriso franco, sincero,
Que me foi roubando pelo teu adeus, como eu temia.


Gil Façanha

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Caçador



É bem verdade que era pouco o que eu tinha,
O coração foi tão ingênuo em acreditar.
Em teus abraços depositei a vida minha,
E desejei ardentemente me entregar.

Em noites frias te busquei na luz da lua,
E para mim era a luz do teu olhar.
Contava as horas para poder me sentir tua,
O teu carinho era um convite para amar.

A cada dia uma conquista, uma invasão,
Minha alma se abria a você.
Mas teus gestos, pouco a pouco em contramão,
Revelaram-me o que ninguém podia ver.

Tornei-me vítima da tua podre armadilha,
Eu fui a caça e você o caçador.
Sobrevivi e vou seguindo em outra trilha,
E entre versos vou jorrando minha dor.


Gil Façanha

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Poesia na areia




Debrucei-me sobre os grãos...
Brancas cores a viajar nas mãos do vento.
Meus dedos, canetas improvisadas sobre o chão,
Rabiscaram meus profundos sentimentos.

O sol no horizonte, um brilho cego,
Trazia-me de presente a inspiração.
Eu queria a rima certa, puro ego,
E dos meus versos, o mar seria guardião.

Escrevendo como quem desenha a alma,
Fiz-me pintura em letras grandes na areia.
A correnteza me levou em ondas calmas,
E a poesia mergulhou feito sereia.

Gil Façanha

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