Sejam bem vindos pra dentro de mim. Aqui, estou expondo emoções, revelando minha alma, compartilhando com carinho... Publicando sentimentos. (Gil Façanha)

terça-feira, 22 de dezembro de 2015

Tua inquietude




Acalma-te alma inquieta de semblante sem paz.
Refugia-te no temor latente e tantas vezes ignorado
do desamor que a inconstância carrega.
Alarma-te ante a oferta farta da falsa alegria,
do regozijo de um momento que se dissipa
no sopro breve de um sussurro de satisfação...
...Tão cobiçoso quanto efêmero.
Afasta-te da beira do abismo, onde ecoa teu nome
em um canto de sereia que te conduz rumo
ao pôr do sol que fascina revestindo a escuridão anunciada.
Contudo, se te valer mais que o ontem a brevidade de um agora ,
então que tua escolha tenha a valia do "para sempre",
pois te asseguro que arriscas o inestimável
em nome do reluzir fascinante do ouro dos tolos.



Gil Façanha

A vida passa


 
Olhando pelo túnel do tempo que se forma nas gotas que escorrem pelo vidro,
vejo toda a minha vida correndo na estrada... fantasmas a passar por mim.
Ao som de memórias que ecoam em meus ouvidos,
descubro desvendado no céu nublado e anoitecido
tantas incógnitas que me apagaram o sorriso franco.
Hoje, embora ainda delgado,
como quem busca um grau maior de compreensão,
desnudo na ternura tímida dos lábios sequiosos, a esperança disfarçada
de ilusória certeza de que agora posso entender tudo que vivi...
E sigo no aguardo eterno da próxima emoção
que fingindo ser razão, se permite fazer morada em mim
pelo simples fato de crer que possui o natural direito de acontecer.



Gil Façanha

O dom do silêncio


 
O silêncio é a expectativa do futuro...
É o acelerar do coração no aguardo da próxima frase,
o suspiro do alívio ou o nó na garganta diante do próximo som.
O silêncio é arma dos sábios que tecem nesse intervalo tácito,
a percepção da valia do argumento
ou quão precioso pode ser apenas... calar!
O silêncio é o se perder num finito e precioso momento,
para se encontra no som de um sorriso fácil
ou na marca de uma lágrima, que embora muda,
grita tantos sentir.
O silêncio é a busca pela palavra certa, o momento certo,
o benefício da dúvida, até que se rompa no despertar incontido,
na erupção da voz...
Quem sabe, na nota de uma canção presa na garganta!
Ah, esse anseio silente tantas vezes forçado...
Me salva até de mim!
É no silêncio que ouço meus ecos!
No vazio de qualquer som que minha alma declama!
E, é na raridade desse dom que a palavra
Enfim... ganha força.



Gil Façanha

Os versos que olvidei


 

Sinto na imensidão desse quase desprezo,
teu chamado que clama, reclama,
sobrepuja a compreensão, exige atenção...
Ecoa no peito teu grito meio fúnebre,
tonto, inebriado de adeus, invadido de partida
e assim, no temor do para sempre,
sussurras aos ouvidos de minh’alma no breve serrar de olhos:
Não me deixes!



Gil Façanha

Desolada




(Inspirado em relatos)


Teu ímpeto arrebatou-me!
Tirou-me do chão, deixou-me sem fôlego,
sem tempo, sem direção.
Justo eu que apenas há um passo era só desprendimento
e desapego, agarro-me agora aos destroços a fim de não
sucumbir a força desse furacão que tem teu nome.

Não suponho mais nada sobre o futuro que regaste a desídia,
num tom de desassossego que se arraigou.
Nem mesmo consigo montar as peças que desmascaram meu presente.

Tuas palavras desmoronaram sobre mim feito tromba d’água
que lava, leva e destrói tudo no susto do inesperado...
Emocionalmente despreparado.

Declaro-te culpado!
E eu, que me absolvo de minha tola inocência,
condeno-te a um destino cruel:
Sê feliz enquanto podes, enquanto és capaz de esquecer
que a vida se faz justa.
Sorria frente a neblina salgada da minha dor...
Que um dia o tempo muda,
e cada um colherá o que plantou.



Gil Façanha

segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

Puro clichê





Não!
Não me culpes por tua insensatez tétrica,
que insurgindo contra o melhor que pude ser,
desalinhou meus traços e redesenhou meu caminho.
Não me culpes por ser quem és... Toda a dor e toda beleza é
somente tua, e há de ser teu e apenas teu, o valor
a ser pago por barganhares aço a preço de ouro...
Fugiu de ti todo e qualquer brilho e nem
a pedra filosofal faria tamanha alquimia.
Quase nem creio que és a mesma que um dia falou de amor!
Quão deturpados estão hoje teus valores
e embora tenhas vivido vãos amores, nada aprendeste
sobre o que é amar!
Não sei se por ti lamento ou apenas te esqueço,
pois hoje já não resta nem o apreço de um dia
por ti ter sido menos eu!
O que outrora pareceu raro, revelou-se banal,
tão trivial que perdeu-se na multidão dos afins.
Extraordinário mesmo só a certeza de que por tanto
tempo conseguiste encortinar quem és!
Quão astuta podes ser!!
E eu, que assim como tu sou tão humana e predisposta,
deixo para ti a resposta que só quem é vítima
pode ter: Cresce, aparece e segue adiante...
Pois nem eu sou mais como dantes e já caminho
melhor sem você!
E se a vida é mesmo justa, e nos cobra o preço
que cada ato custa... Teu destino será puro clichê!



Gil Façanha

Elixir

 



Beba do meu cálice... E cale-se.
No silêncio dos devaneios que te oferto
degusta no palato essa lascívia e sucumbe sem receios.
Desliza a língua entre os lábios e saboreia absorto,
absolvido de pecados, que o néctar que te oferto é bento,
abençoado e perdoado pelo direito de existir.
Toma de minhas mãos e embriague-se,
perde os sentidos, se joga...
Não tema se te pareço taciturno,
pois em meus olhares noturnos,
há o desejo veemente de ter-te tão meu
quanto ainda sou tua.
Deixa-me matar tua fome de carne,
e saciar tua sede de luxúria com o elixir
que te ofereço quase implorando teu aceite,
escondendo em meu olhar de lamúria,
meu desejo em fúria. 



Gil Façanha

Todas as teorias foram por água abaixo!
Já não há certezas ou dúvidas definidas.
O que antes era uma grande interrogação, 
hoje uma exclamação se impõe!
Calmaria... Horizonte a emoldura tudo o que a vista alcança.
Felicidade tem mesmo muitas faces.
Tantas que algumas até assustam!
Será real? Será enfim?


Gil Façanha

Só lembranças... Nada mais.


 


Afasta-te de mim pesadelo desperto!
Já tiveste teu tempo de tormenta
e na tempestade que destrói mas também lava,
levaste contigo as mazelas que o desacerto
espalha em brasas, calor remanescente das
paixões que se revelam frívolas quando a fumaça se esvai.
Da importância que tiveste, resta um sorriso tolo
nos lábios marcados pelo beijo inolvidável,
a cada vez que a memória me trai e te atrai no resquício de
uma saudade que grita ao abismo de mim,
respondendo em ecos meu total desapego de ti.



Gil Façanha



Então é fato que esse mundo me limita. De outra forma, se assim não o fosse, o mundo me abandonaria.
O que faria eu de tanta solidão, se a dose máxima que suporto dela é meia casa vazia por um dia?

O que seria de mim e dos meus, se os pensamentos que povoam minha mente fossem expostos feito vômito da alma, que presa aos anseios da carne regurgita meias verdades e deglute ao menos uma vez por dia, algumas doses de falsidade santa? 


Gil Façanha

No mínimo estranho


 

Depois de te banir aos meus abismos,
insurges insidioso feito fumaça a escalar essas
profundezas as quais com tanto pesar te condenei.
Inundei teu fogo com lágrimas, cortei tuas asas...
Foste anjo caído dentro de mim, condenei-te a não ser nada.
Lembro-me bem... chorei ao fazer do meu peito teu próprio sepulcro
onde lá escrevi: Jaz aqui um amor ateu.
Sepultei minha fé em nós.
Domina-me a estranheza dos teus passos,

a dualidade do teu olhar, a incógnita que se tornou teu sorriso...
Justo eu que um dia julguei te conhecer tão bem!
Resisto a tentação das suposições apressadas,
ardem na pele minhas próprias interrogações.
Não sei o que desejas ou mesmo se desejas algo, mas admito:
É no mínimo estranho que ressurjas assim das profundezas de mim.



Gil Façanha

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