Sejam bem vindos pra dentro de mim. Aqui, estou expondo emoções, revelando minha alma, compartilhando com carinho... Publicando sentimentos. (Gil Façanha)

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Calmaria


Sinto uma enorme necessidade de parar, e apenas observar.
Tem uma bagunça que deixei crescer por dentro,
E entre alegrias e lamentos, agora preciso me resguardar.

É uma urgência de parar  pra ver o tempo passando,
Analisar por onde estive andando,
E reavaliar o que andei planejando.

Fui levada pelos ventos dos desejos, da procura por mim mesma...
E agora longe da tempestade, caída de um furacão que passou,
Sinto a intensa necessidade de entender no que isso me transformou.

Já não respiro ofegante, sinto o peito mais leve, já não ouço mais gritos...
Minha alma sussurra o que eu preciso saber.
Mas ainda com fome de vida, preciso parar e ouvir pra conseguir entender.

Arrumar a casa, retirar os entulhos e guardar bem o que não me serve mais.
Não jogar fora nenhuma escolha perdida, valorizar o que tive da vida,
E amadurecer tudo que toda busca nos trás.


Gil Façanha 

domingo, 25 de setembro de 2011

O tempo e a saudade



O dia rasteja em frente a minha janela,
E o tempo sem pena, me sorri cinicamente.
O vento que sopra em meu rosto, me faz lembrar aquela tela,
A pintura de um beijo registrado em minha mente.

Horas passam e a rua sempre igual,
Nem a chuva em desaviso, me desperta dessa lembrança.
Ainda não sei  se me faz bem ou me faz mal,
Essa paixão que me encantou feito criança.

Anoitece e nada muda a minha frente.
Nem o sol e nem a lua, me traz um sorriso sequer.
Há uma saudade que pra tudo, me faz indiferente,
E por dentro desejos ocultos de mulher.

Meu calendário tem marcas diferentes,
Minhas horas são dias, e meus dias impossíveis de contar.
O que quero é a surpresa, o de repente,
A alegria de poder te ver chegar.

Esse tempo inimigo dos meus sonhos,
Parece escalar montanhas impossíveis de alcançar.
Dá um passo para frente e dois pra trás,
Me enganando e brincando de passar.

Gil Façanha

sábado, 24 de setembro de 2011

Inquietudes da alma



Não quero esse cansaço na mente,
Essa conhecida agonia no peito,
Essa sensação de solidão acompanhada,
Essa perturbadora procura nunca encontrada.

Quero perder a cegueira dessa visão perfeita,
Não me culpar por desejar o que o mundo rejeita.
Tentar ser mais egoísta e pensar em mim,
E não precisar me desculpar por ser assim

Destruir as expectativas,
Parar de chorar por dores passageiras,
Entender que alguns momentos na vida,
Virão e irão da mesma maneira.

Quero lembrar o passado com uma nostalgia gostosa,
Não esquecer que o futuro é uma interrogação,
Fazer desse momento o meu melhor presente,
Entender que minha felicidade não está em outras mãos.

Mas por hora, preciso parar pra ouvir esse grito abafado,
Fechar os meus olhos e tentar entender,
Vou buscar traduzir esse eco da alma,
Que incansável repete: “Você precisa viver, viver, viver...”. 


Gil Façanha

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Um reencontro com a paixão



Agora ele está lá... Contando cada batida de seu coração com uma precisão enorme, porque nesse instante ele pulsa em suas mãos. Diante do imortal desejo de amar, da loucura da paixão que teima em não nos deixar, transpira, sofre, teme diante da provável possibilidade em sucumbir ante ao seu mais intenso desejo, agora  materializado diante de si. Posso vê-lo... Quase senti-lo, e é como se meu coração estivesse lá. Posso fechar os olhos e claramente, embora apenas somente em minha criativa mente, posso ver o que eles fingem para si mesmo não mais existir. Há desejo nos olhos, há loucuras no pensar, há uma constante transpiração por tudo que ambos se põem a lembrar.
Mas ainda há tanta mágoa por tudo que deixou cicatrizes na bela face do que um dia foi! Há aquele medo de tentar de novo, a constante certeza de mais uma vez se perder... E junto com as batidas daquele coração, uma louca vontade de perdoar e esquecer. Sim, eu posso ver... Há tantas coisas a serem ditas, mas o que desejam é apenas sentir. A lembrança daquele corpo, daquele cheiro, os gemidos de prazer... Já trazem todas as razões que um coração apaixonado precisa, pra mais uma vez se render. 


Gil Façanha

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

De dentro pra fora



Aqui no silêncio do meu quarto,
Na penumbra da minha solidão,
Revejo os antigos passos,
Repenso cada emoção.

Essa solidão que me invade,
Acolhe-me e me expõe ao mundo,
Abre meu peito sem alarde,
E me revela inteira em um segundo.

Vejo-me intensa,
Ainda que sem rumo.
Uma profundidade propensa,
A me tirar do prumo

Fecho os olhos e mergulho fundo
Nessa alma prolixa, confusa.
Sinto-me afogar em meu próprio mundo,
E me perco em sentidos contrários, de maneira difusa.

Estou dispersa entre os conceitos criados,
Nem sei bem como me revelar.
E de esperança cansada,
Questione-me se me encontrarei de dentro pra fora...
Ou se de fora pra dentro, alguém irá me encontrar.


Gil Façanha

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Rastros de mim

Texto inspirado na obra do amigo e pintor Koz Palma

Minha imagem é apenas um rastro.
Qualquer coisa que ainda representa tudo o que vivi.
As lembranças dos amores,
Dos beijos tantos que nem pude contar,
Das dores sentidas, tão profundas que não as pude mensurar.

Minha imagem é apenas um rastro.
Retrato envelhecendo ante a meu espelho,
Que audaz, me revela rugas... Sinais que o tempo não parou.

Minha imagem é apenas um rastro... Fumaça evolando-se no espaço,
Dissipando-se a cada passo,
Deixando-me mais distante do que um dia fui...
A pura imagem do cansaço.  

Sou hoje o acaso da promessa
Que me fez esperar sem pressa,
Pra nunca ser cumprida nessa vida vã.
Minhas angústias são doenças sem cura,
Que me queimam numa eterna procura feito febre terçã.  

Minha imagem é apenas um rastro.
Reflexo dos desenganos,
O refazer de tantos planos,
A lembrança inerte de uma saudade que dói.

Hoje sou apenas vaga lembrança,
De tudo que pensei ser quando criança,
Resumido a uma eterna busca sem fim.

Minha imagem se esvai na chuva,
Deixando apenas uma silhueta turva,
Trazendo a tona aquela insana saudade de mim.


Gil Façanha

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