Sejam bem vindos pra dentro de mim. Aqui, estou expondo emoções, revelando minha alma, compartilhando com carinho... Publicando sentimentos. (Gil Façanha)

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Qual o teu preço?



Ela tinha aquela certeza dos inocentes, levantava a bandeira dos que tinham caráter irrevogável e socialmente analisável e respeitável. Todas as regras cumpridas, nunca andou fora do caminho, pois não havia atrativos a beira da estrada.  Todas as paisagens vistas por sua janela estavam exatamente onde deveriam estar.  Havia a consciência de que tudo ficaria onde sempre esteve e que tamanha beleza a manteria eternamente por lá.

Idas e vindas, e as paisagens continuavam no mesmo lugar. Até que de tão acessível, tão comum, tão ao alcance, perdeu o encanto. Ela já não via a mesma maravilha pela janela de sua existência, e diante disso, ousou abrir a porta e andar a beira do caminho, na busca, talvez, por achar o que foi perdido, de entender o porquê que da sua janela já não se via mais o mesmo brilho do pôr do sol, e aquela brisa de mar que outrora deslizava em meio a seus cabelos e que agora virara apenas o sopro de um vento frio de inverno, ou de um verão sem calor.

A princípio era tudo inaceitável! Ela recusara tais mudanças. Afinal, havia levado anos preparando aquele horizonte que lhe parecia eterno na moldura das suas emoções. Embora não pudesse entender a razão, no amanhecer, já não mais a encantava o canto dos pássaros. Aliás, muitos já haviam voado rumo ao sul, prevendo o frio ameaçador a alcançar seus ninhos. Os poucos que ficaram pareciam tão enfraquecidos que não se podia mais ouvir o seu canto, deixando-a saudosa daquela melodia de paz.
Havia a ilusão de o eterno ser possível, do perfeito ser palpável e, portanto sujeito a moldes inventados.  Aquela luta interna que por tanto tempo deixou o campo de batalha com a aparência que qualquer guerra deixaria, já não encontrava forças para ainda o ser. Entregue, desfalecida e vazia de esperança, chegou à conclusão de que para fugir ás regras, só precisa que se chegue ao preço que cada um possui. E a ela, tudo já estava custando alto demais. Preço alcançado... Regras quebradas... Partiu em busca de outras paisagens, outras estações que lhe mostrassem diferentes belezas. Agora já não julgava mais a ninguém a sua volta e todo aquele discurso pronto, que se encontra nas bocas dos politicamente corretos, tornou-se hipócrita, inaceitável diante da realidade de que o que todos precisam para sucumbir diante de seus textos prontos, ou levar ao chão as paredes de suas fortalezas inabaláveis do bom senso... É apenas a razão... O preço que todo mundo possui. 



Gil Façanha

domingo, 26 de junho de 2011

(Re) Escrevendo



(Re) invento nossa história
(Re) crio outro enredo
(Re) faço minhas memórias
(Re) cubro meus segredos

(Re) uno meus desejos
(Re) tomo nosso caminho
(Re) velo nossos sonhos
(Re) construo nosso ninho

(Re) surjo das cinzas esquecidas
(Re) corro aos teus abraços
(Re) escrevo nossos versos
(Re) estruturo nossos laços

Inovo meus sentidos
Vou seguindo na caminhada
Não retomo o que foi perdido
Inicio uma nova estrada.




Gil Façanha

sábado, 25 de junho de 2011

Lágrimas da alma


Há lágrimas! Eu as sinto! Mas não consigo vê-las. Escondo por dentro essa dor envergonhada, pelas mais incertas razões de ser. Estou atormentada por essa busca de, sei lá o que! Meu peito está repleto de explicações que não se firmam, não me convencem, me torturam, me transformam em trapo, e me deixam ao chão. Não há um motivo seguro, uma escolha confiável... Apenas medo e dúvidas a minha frente. Temo que a solidão venha morar ao meu lado, embora eu também me questione se já não estou só, se há algo que me prenda nessa multidão de um ser apenas, ou se sempre estive solitária, intimamente ligada a esse vazio que me atormenta e que mora em mim! Há pouco tempo abri caminho na floresta das intensas e confusas emoções que me rodeiam, e me (des) norteiam em direções a onde me acho, e me perco e me desvendo na frustrante revelação de que nem de mim, nada sei. Nesse mesmo percurso, descobri uma natureza densa, mata fechada, estradas desconhecidas que me olhavam com um ar desafiador, com um sorriso cínico, na única intenção de mais uma vez, jogar em minhas mãos a complexa escolha de partir nessa busca pelo novo, ou me manter segura nessa confortável vereda já tão conhecida.

Ainda não sei se o vazio que sinto, é causado pela atração em abrir uma clareira em meio a essa loucura toda, ainda que seja pra descobrir rochas sob meus pés, ou apenas por que não quero sucumbir a essa certeza que reluto em admitir, de que sou prisioneira de mim mesma. Ainda que o solo não seja fértil, e esterilize um momento meu... Ainda assim, fico aqui, a questionar  o simples valor da busca. As vezes me pergunto por que essas lágrimas queimam! Não tem gosto de mar... Não parecem com água, não parecem com nada! Alguém me disse que aquilo que chamo de lágrimas são as cicatrizes da covardia. Quem sabe!... Não sei se procede a essa teoria, só sei que choro... Com olhos secos, choro...  Eu choro a covardia, então. 

Gil Façanha

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Busca cega



Havia nela uma necessidade de amar intensamente e ser amada, somente.
Um mar de lamentos desaguando por dentro, 
a amargura de tanto buscar sem encontrar.
Era uma procura desenfreada, 
uma angustia desalmada, 
pelo amor tão desejado.
E na cegueira da procura... 
Nem se deu conta que o amor já estava ao seu lado.


Gil Façanha

domingo, 19 de junho de 2011

Ilusão



Ele chegou lento, desconfiado
Trazia consigo uma alegria dadivosa
Trouxe no sorriso estampado
O branco de uma certeza duvidosa

Acreditei na sua cor... Um brilho cego
Seu ar de inocência a conquistar
Inflando-me o peito... Puro ego
Não previ a dor futura ao te amar.

Procurei por tanto tempo, amor algoz
Ansiosa, Mergulhei em tuas águas
Fui tomada de uma forma tão feroz
Entreguei-me à ilusão de corpo e alma

E agora te conheço e te rejeito
Recupero uma esquecida realidade
Decidi não me entregar mais desse jeito
O amor próprio traz consigo a dignidade




Gil Façanha

sexta-feira, 17 de junho de 2011

(IN) Completo



Sinto-me uma receita inacabada
Um rascunho de mim mesma
Um livro sem final
Um poeta sem inspiração!

Vejo-me como uma partitura sem notas
Um instrumento sem músico
A interrogação do final
A surpresa na resposta!

Sou parte do que está aqui
E tudo o que ainda há de vir.
Nesse instante, sou a reticência da minha própria história
Sem nenhuma intenção de se fazer entender
Ou se eternizar na memória.


Gil Façanha

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Nosso lamento







Se quiseres sofrer por outro amor
Dói-me por dentro o teu tormento
Se meu carinho não aplaca a tua dor
Receba o que me resta... O meu lamento.
                                   
Se não valho aos teus olhos, o olhar dela
Entristece-me tuas lágrimas impensadas
Se levares tua vida a chorar por ela
Sobra-me a dor em minh’alma... Desgastada.

Tantas vezes falei de Amor... Tão iludida!
Eu temia algum dia te perder
Mas entendi que nessa vida tão sofrida
Não se perde o que jamais se pôde ter.


Gil Façanha

terça-feira, 7 de junho de 2011

Soneto




Na leitura melancólica, a poesia
Criadora de uma dor imensurável
Descobri nesse presente o que eu queria
Aprendi uma lição irrevogável

Na leitura de uma vida tão sofrida
Encontrei a beleza nas rimas dela
Me encantei com a poesia tão querida
Nos versos doloridos de Florbela

Antes dos versos ensinava a sua forma
Falava do estilo da poetisa
Explicava sua escrita em branco e preto

2 quartetos e
2 tercetos...
Eis a forma de um soneto


OBS.: No meu último aniversário (27/05), ganhei de presente, um livro de Florbela Espanca que vale dizer que estou amando ler. Neste livro, o autor que fez uma seleção dos poemas de Florbela, deixa claro o estilo mais usado pela poetisa. Inspirado nesse estilo, fiz esse poema. Espero que gostem. 






Gil Façanha

domingo, 5 de junho de 2011

Covardia



Dispersa nessa névoa de inverno
Eu busco o mar no frio relento
Meu corpo estremece... Calafrios
Resultado de amargos pensamentos


Da brisa gélida que vem das águas
Não sinto arrepio sequer 
Das dores que jazem em minh'alma
Amargo cicatrizes de mulher


Por zombares do que sinto, me matastes
Um tiro certeiro no peito
Enterrando a felicidade derradeira


Afogo-me nas ondas a escorrer em minha face
Relembrando teu golpe covarde
A tua cruel mira certeira. 


Gil Façanha

sábado, 4 de junho de 2011

Pretensão



Desfaço-me do sorriso quando olho os grilhões que limitam meus passos. Perverto meus sentidos para que na inconsistência dos meus atos, eu possa conscientemente fingir minha alegria. Distraio-me das minhas verdades, para que eu não me afogue nas lágrimas vertidas sobre minha pele clara, ou desapareça nas angústias represadas na profundidade da minha alma. Recolho-me a insignificância dessa pretensão poética, que de tão prolixa se perde nesse torpe desejo de algum dia, me revelar em poesia tão límpida, que nenhuma entrelinha haverá mais o que esconder.


Gil Façanha

Antes só, que mal acompanhada.



Pode parecer estranho, mas isso não dói!
Talvez por ir tão fundo, tenha alcançado o poço da minha razão.
Não, não me sinto sozinha...
Tua ausência não me jogou na amarga solidão.

Entreguei-me sem receios, falei de amor sem rodeios
Fui o melhor que eu pude ser.
Mas não sendo isso o bastante,
Que argumento usaria eu pra te convencer?

Rogamos verdades, gozamos mentiras
Fizemos do talvez, uma certeza do fim.
Alimentei-me da tua saudade,
E você tinha tudo o que queria de mim.

Mas não, não lamento tua partida!
Tua decisão solitária, teus passos na contramão...
Agradeço teu adeus...
Tua mais sábia decisão.

Sim, podes ir embora!
Quero que parta sem deixar saudades
Que  atravesse a porta sem fazer alarde
Quero que esse adeus seja tua maior verdade.

Mas não se assuste com toda minha segurança
E nem espere ver em mim o reflexo sofrido de uma mulher abandonada.
Pois foi estando contigo, que descobri...
Que estar só, é melhor que mal acompanha.


Gil Façanha

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Preciso lembrar de mim



Inspirado em uma grande amiga.

Tu, minha morte em vida
Meu desapego de mim mesma.
Que me invade em memórias vivas, me tortura em uma saudade lasciva
Que me embriagou de teu cheiro e se foi após me tomar com paixão.

Tu, meu desassossego pleno
Minha falta de um adormecer sereno
Minha ânsia por um momento a mais
Minha completa falta de paz

Liberta meu coração desse cárcere
Deixa-me descobrir o que realmente é o amor
Leve contigo todas as esperanças
Permita-me descobrir outra emoção que não seja essa dor. 

Gil Façanha

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Um novo coração



Quero construir um novo coração!
Um que tenha compartimentos para cada emoção.
Quero moldá-lo a mão, redefinir  todos os espaços,
Pra que eu saiba bem onde guardar sentimentos que vão do amor, até a alegria de um abraço.

Vou por uma fechadura em cada caixinha identificada,
Pra que eu tenha sempre a certeza do que estou vivendo
Sem os riscos da escolha errada.

Não haverá nenhum parentesco entre o órgão que tenho e o que desejo construir.
Porque o da minha pretensão é inviolável, e o meu velho coração já se deixou possuir

Quero aproveitar as antigas cicatrizes
Pra gravar uma memória emocional.
Do meu coração marcado, estou cansada
Ele é completamente irracional

Preciso arquitetá-lo com cuidado,
De tal forma que eu possa ter o controle total.
Será que isso é pedir muito?
Ou já estou condenada a morrer de amor, afinal?


Gil Façanha

Blog Poetas Insanos.

O blog Poetas Insanos é uma indicação direta que faço aqui. 
Leitura de bom gosto, e pessoas que valem a pena conhecer. 
Retribuo aqui o carinho, respeito e admiração aos Poetas Insanos.


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