Sejam bem vindos pra dentro de mim. Aqui, estou expondo emoções, revelando minha alma, compartilhando com carinho... Publicando sentimentos. (Gil Façanha)

quarta-feira, 28 de março de 2012

Rastros do que fui




Vagante entre tantos mundos onde me perdi e me encontrei,
Procurei-me ao relento onde o amor me deixou.
Incógnita, desfilei nas avenidas do imprevisível, como ser indistinto,
Sorrateira, mendigando a mais intensa alegria que meu cerne já provou.

Ébria de incertezas, segui com o peito partido, e sem direção.
Entreguei-me a dor de ser vítima de uma fera,
Acreditei em meias verdades, deslumbrei-me ante a vaidade,
Não notei que alguns encantos eram a mais pura quimera.

Mas extraí de desejos guardados,
A seiva da própria alma, doces gotas de esperança.
Abdiquei do desengano, olhei a luz pela janela,
Senti a vida renascer feito criança.

Não retrocedi. Não poderia. Segui por outras veredas,
Parti em busca daquela felicidade que sempre esteve em minhas mãos.
Reinventando-me a cada senda, hoje sigo como um ser sozinho...
Em constante mutação, vou deixando rastros do que fui pelo caminho.


Gil Façanha

quarta-feira, 21 de março de 2012

A quem procuro?



Nenhum rosto me satisfaz!
Nesse devaneio sem fim, me perco nessa multidão sem nome.
Nem sei na verdade quem és,
Mas sinto uma saudade amarga,
Aquela falta do que nunca foi meu,
E sou tomada pela sensação de que perdi algo que nunca me pertenceu.

Atormenta-me esse encontro sem data,
Tua lembrança sem imagem,
Essa louca vontade de deixar em teus braços, minha alma se perder.
E na escuridão da madrugada,
Vagando em meus pensamentos,
Questiono-me onde estás, e quem afinal de contas é você.
               
Não sei se pensas em mim, ou imaginas quem eu possa ser.
Nem sei se tu existes, ou se isso é pura insensatez a fazer minha lucidez desvanecer.
Mas há desejo, não nego. Vivo atormentada pela ilusão que eu mesma criei.
Uma cobiça sem tamanho, em ter alguém a quem idealizei.

Admito...
Às vezes minha certeza hesita, mas continuo a buscar.
Embora haja momentos em que uma dúvida me faz oscilar:
Será que realmente é outro alguém a quem procuro?...
Ou é somente a mim mesma que anseio encontrar?

Gil Façanha

terça-feira, 20 de março de 2012

Teu olhar oceano



Percebi no teu olhar, o grito de um amor velado.
Tantas coisas foram ditas, sem um som pronunciar.
Meu coração já tão sofrido, maltratado,
Mergulhou fundo em teu verde oceano a me inundar.

Naufragaram antigos medos, esqueci as cicatrizes.
Tuas águas tão profundas me arrastaram sem licença.
Teu farol a me guiar, me dando novas diretrizes,
Nunca senti dentro do peito, correnteza tão intensa.

Entreguei-me feito vela dominada pelo vento,
Embarcação sem direção, nem o leme é mais meu.
Por descobrir nosso caminho, estou sedento...
Qualquer receio, em teu sorriso, se perdeu.

Questiono-me em meu silêncio absorto,
Como pode tanta certeza se perder!
Sentia-me seguro ancorado em meu porto,
E agora meu desejo,  é estar à deriva em você.


Gil Façanha

segunda-feira, 19 de março de 2012

Eu sem você...



Sou o caminho sem direção, a cegueira do olhar.
Sou o pesadelo acordada, o não saber como sonhar.
Sou a contra mão do caminho
Sou a dor da falta de  carinho.

Sou a solidão acompanhada
Sou a poesia que não diz nada,
Sou a letra sem melodia
Sou o anoitecer sem a previsão de outro dia.

Sou a fome jamais saciada
Sou a sede com a face molhada.
Sou primavera sem flores
Sou a alegria cedendo lugar as dores

Sou a vontade sem chance de ser
Sou o oposto do que deveria acontecer.
Sou a total falta de sorte,
Sou a vida parecendo a morte.


Gil Façanha

quarta-feira, 14 de março de 2012

Tão longe, e tão perto



Farei do nosso sonho, meu combustível diário,
Da fé em nossas juras, o risco que assumo.
Do aperto no peito, um anseio involuntário,
Do destino aos teus braços, meu rumo.

Do horizonte, a moldura do teu sorriso que vejo.
Da esperança, a confiança de um futuro tão nosso.
Do oceano, obstáculo do nosso desejo,
Do teu amor, a força em crer que tudo que quero... Posso.

Farei da distância o alento,
Entre a  saudade e a razão, um duelo
Do nosso encontro, no peito um evento,
De nossas bocas num beijo, o momento que espero.


Gil Façanha

Quando faço poesia





Quando faço poesia, faço paixão.
E meu maior prazer é despir minh’alma,
Desnudando-a com calma,
E cedendo-a ao toque da inspiração.

Quando faço poesia, reinvento o tempo.
Reencontro antigas emoções,
Transformo os já cansados sentimentos...
Refaço minha história, revivo cada passo na memória.

Quando faço poesia, desfaço os conceitos pré-inventados,
Jogo todos os medos de lado,
Sou a pura verdade do meu ser,
Torna-se meu, tudo que fiz por merecer.

Quando faço poesia, faço vida...
Sinto-me parir uma chance a mais.
É como se não houvesse limites para o amor,
É como se toda guerra virasse busca pela paz.

Quando faço poesia, sou tantas em uma só.
Minhas personalidades me possuem com licença.
Quando faço poesia, sou mais do que mostro ser,
Sou tudo ao que estou propensa.


Quando faço poesia, transformo em realidade minhas quimeras.
Sou o calor do inverno, o frio em pleno vulcão, a doçura de uma fera.
Quando faço poesia, sou poeta, e enalteço o esplendor de cada rima.
Sou um viajante do mundo, que em seus versos cumpre sua sina.


FELIZ DIA DA POESIA.



Gil Façanha

domingo, 11 de março de 2012

Uma batalha em mim




Fui tantas vezes ela...
Que de mim me perdi. Corrompi meus olhos na tentativa de não precisar encarar aquilo que me negava existir. Passei a ser mais livre do que jamais fui, ousei como nunca houvera ousado dantes... E de alguma forma tornei-me de mim, mais distante.

Fui tantas vezes ela...
Que me tornei horizonte. Ao longe vejo apenas um longo e antigo rastro de mim. Ultrapassei fronteiras, derrubei muralhas, e as cicatrizes de antigas batalhas deixaram eternas  lembranças de um passado que sempre estará presente... tão meu somente.

Fui tantas vezes ela...
Que veio a tona o melhor de mim. Mergulhei fundo em meu desconhecido, encarei os gritos e gemidos, e o medo que tentava minha lucidez destruir. Quebrei regras e promessas, e corri como quem tem pressa de aprender a viver... Exasperada pela angústia de ser o que o mundo me obrigava a ser.

Fui tantas vezes ela...
Que destruí todos os conceitos,  aprendi a me aceitar com a visão dos meus próprios defeitos, e assim descobri quantas vezes deixei de ser eu. E após essa longa  batalha entre o que fui e o que hoje sou, apesar daquela parte de mim que se perdeu... Uma mulher mais forte, renascida de uma guerra só sua, sobreviveu.

E nesse equilíbrio que busquei entre razão e emoção, libertei as correntes do meu coração, e minh ‘alma de minha própria cela...

Mas tudo porque antes, fui tantas vezes ela.

Gil Façanha

Paixão oculta


Inspirado no desabafo de uma amiga.



É assim que estou:
Jogada a um mundo de silêncio para me acalmar,
Despida de falsos pudores,
Desejando prazeres,
Afastando amores.

Encontro-me assim:
Encharcada de vontades escusas,
Perdendo-me em ansiedades difusas,
Sendo tudo o que não querem de mim.

Meu corpo agora fervilha de tanto desejo,
Vontade de sentir aquele calor, aquele beijo,
Sem saber o que fazer para conseguir suportar tanto querer.
Sentindo a pele a se aquecer.

E do jeito que a vida me leva,
Do jeito que essa emoção me deixa a pulsar...
Só encontro um jeito para esse fogo não parecer tão suspeito...
Jogar o meu corpo ao mar.


Gil Façanha


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