Sejam bem vindos pra dentro de mim. Aqui, estou expondo emoções, revelando minha alma, compartilhando com carinho... Publicando sentimentos. (Gil Façanha)

terça-feira, 7 de agosto de 2012

Mutação






Dei-me o direito de ser eu.

Suplantei meus receios,

me desfiz da amargura,

chorei gozos,

ri da própria desventura.

Transmutei moral em injustiça,

vesti minha armadura,

destruí as grades da cela.

Enfrentei minha maior batalha,

venci minha própria Sentinela.

Vivi a vida em um momento,

fiz do eterno um ledo engano,

senti na pele o maior tormento,

redescobri meu lado humano.

Fui incêndio sobre o iceberg,

a geleira no centro de um vulcão,

ao me entregar as emoções vividas,
sofri na alma imensurável mutação.

Gil Façanha

...





Por falta de diálogo, o amor se foi!

Eles estavam em um abismo, onde submersos em uma profunda escuridão, encontravam-se aos gritos sem eco, mergulhados em orações nunca ditas em voz alta. Tentando alcançar o topo, pendendo naquele paredão de incertezas verticais, viveram o sofrimento da escalada solitária, embora sempre estivessem lado a lado. Até que enfim, do alto, entre lágrimas, sentiram a vertigem causada pela visão da alegria perdida e das palavras nunca ditas.

Gil Façanha









Restou a poesia (dodecassílabo com rimas diagonais)




Nas fantasias que vivi em meu silêncio,
num tal suplício da distância que matava...
E suplicava minha alma teu alento,
vi-me sedento desse amor tão esperado.

Redescobri o meu diário, abri meu peito
E do meu jeito, recriei a minha história.
A ilusória alegria mora em meus versos,
Incontroversos sentimentos aleivosos.

Mas ao tocar-te finalmente, oh, quimera,
ai quem me dera ser real o que sonhara.
Já desenhara mais mil vezes tua imagem,
pura miragem, sem saber o que seria.

Compreendi que desejei o impossível,
tão definível emoção me ofertara...
só cobiçara minha pele, meu desejo,
e no ensejo despertou-me desencantos.

Daquela noite, só restou em nova aurora...
Sonoras letras de um adeus tão eloquente,
que claramente vi teu eu mais verdadeiro,
pois traiçoeiro, são teus lábios mentirosos.

Extasiada nessas rimas, vivo agora,
embora sofra uma amargura lancinante,
sigo adiante, o meu amor vou transformando,
e suplantando toda dor na poesia.


Gil Façanha

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