Sejam bem vindos pra dentro de mim. Aqui, estou expondo emoções, revelando minha alma, compartilhando com carinho... Publicando sentimentos. (Gil Façanha)

domingo, 28 de novembro de 2010

Fases da personalidade



Nos meus períodos de inconstância, todas as minhas certezas
Viram a convicção da dúvida, em questão de segundos.

Será que estou certa disso?

Convictamente.... Duvido. 

Gil Façanha



terça-feira, 23 de novembro de 2010

Uma batalha entre a covardia e a consciência.



Era um mundo justamente cruel ao seu olhar tenro, porém ofuscado pelo brilho ilusório  de tantas aventuras e pela busca infindável pelo novo que havia há tempos, envelhecido.
Partira da realidade vivida todas as ilusões de um mundo melhor. Nada parecia mais atraente do que encarar a realidade. Já sem ilusões, jogou-se nas estradas da vida, crendo que jamais tropeçaria em arrependimentos ou supostas consciências. Se a vida se apresentava suja, julgava ser possível banhar-se na lama.
Pra sua surpresa, a vida é quem nos leva, não o oposto. Algo de puro esbarrou em seu caminho. Não houve tropeços, apenas um encontro. O suficiente para fazê-lo repensar. Havia uma luz no fim do túnel, mas insistia em olhar pra trás. A escuridão de seus devaneios entorpecidos lhe causava ainda a curiosidade em descobrir ou reencontrar o que se escondia nos recantos de suas pegadas ainda acessas naquele beco escuro. E ele voltou... Retrocedeu... Encarou toda a sujeira com sorriso nos lábios. Julgava conhecer todos os recantos podres, e cujos mesmos, não teriam, supostamente, o poder de surpreendê-lo. Havia certo sabor em repetir alguns erros prazerosos e sem culpa. Mas algo surgiu com uma luz diferente. Havia uma emoção que o incomodava dessa vez. Era um sorriso inocente, que invade a alma da gente, e que faz qualquer ser de consciência parar pra pensar. Ele foi recrutado para a mais cruel, suja e injusta das batalhas. Foi como um exército inteiro ser convocado para a derrota de um único soldado desarmado. De alguma forma, aquela lama, aquele beco, tornou-se mais escuro que nunca, mais fétido do que jamais conseguiu sentir. Sua mente dividiu-se entre poder e dever. Sentir e fazer. Olhar, e perceber. Sentia-se enojado diante de uma batalha tão sem razão, as custas da inocência que ele mesmo parecia haver esquecido que ainda existia por aí. E mais!! Ele esbarrou na força da própria consciência que julgava  perdida pelos erros da vida. Uma palavra mostrou seu poder. Ele que sempre disse sim pra vida, descobriu a força e o poder do NÃO. Atirou a esmo, sem alvo fixo, sem qualquer direção, na tentativa desesperada de não ferir a inocência. Encarou outra guerra, feriu outro soldado... Esse, porém, de um exército inimigo, cujo sua perda não empobreceria tanto sua alma angustiada... Feriu a si mesmo, buscando a dor de qualquer outra escolha a se sentir capaz de destruir a esperança de um futuro melhor para quem ainda o tinha.
Porém, todas as armas ao chão, final de batalha, lhe trouxeram a certeza da derrota... Ainda que tenha salvo a esperança, sentiu que havia de certa forma, perdido. A dor em sua alma denunciou uma realidade castigante. Mas certezas destruídas sobraram ruínas de bom senso. Um pedaço de sua mente que foi construído com base sólida lhe causou a sensação que ele não havia, de todo, se corrompido no caminho. E isso, trouxe a tona uma afirmação já esquecida, ou ao menos, não tão cobrada. A  de que nem tudo vale a pena. Especialmente, se a alma não é mesmo tão pequena. 


Gil Façanha

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Humano X Homofobia



Hoje assistindo ao jornal, infelizmente pude ver mais um caso de homofobia. Mais um grupo de jovens alienados que se sentem agredidos pela diversidade sexual e agem fora do normal.
Desculpem, agora não deu pra calar. Onde afinal vamos parar?
Não temos mais direito de escolhas, precisamos agir iguais, sem direito de sermos reais.
Somos o que somos e todas as nossas escolhas trazem somente a nós, o que há de bom e de ruim... Desculpem se não calo vendo esse absurdo diante de mim.
Fico enojada com tanta hipocrisia, com tanta ausência de uma boa educação social. Afinal de contas, criamos um um ser humano ou adestramos um animal?
Me pergunto se essa ausência de bom senso se reflete dentro do próprio lar,
E quando lembro do que andam fazendo das famílias, me pergunto de novo aonde vamos mesmo parar.
A sociedade está aos gritos, pessoas precisando se esconder. Apenas devido ao nojento preconceito, parece proibido ser o que se deseja ser.
Diante de tanta intolerância, violência gratuita, comportamento surreal, acho incrível que esses loucos não se perguntem, quem está mesmo vivendo fora do ideal.


Gil Façanha

sábado, 13 de novembro de 2010

Saudosa querida


Eu a via como um ser diferente, a parte desse mundo obscuro onde somos obrigados a vagar por entre ruas e avenidas, afogando-se na mesa de um bar tentando escapar do óbvio à custa do previsível.
Ela era uma alma errante, buscando qualquer coisa que a tornasse edificante, sem se importar na verdade, com tudo que aos olhos de todos, parecesse importante.
Eu a queria por perto. Tinha a louca necessidade de alimentar-me das fraquezas dela. Havia em sua angustia disfarçada, uma luz contida, quase engarrafada nas lentes do seu olhar. E isso quase me cegava. Era algo guardado, revelado em oração, uma oração solitária, perdida em um circulo composto por seu corpo trêmulo de receios e suas tantas outras faces que viviam, amavam, e pecavam sem nenhum rodeio.
Ao passar pelas ruas, dedos em riste eram flechas de acusações... E ela sorria! Sentia-se livre, diferente dos demais, e sabia que em suas transgressões pecaminosas, era quase santo ser livre pra viver assim.
Muito se pensava saber sobre a vida dela, mas as pessoas confundem-se ao pensar que conhecer seus passos, seria o mesmo que revelar o conteúdo de sua alma. Seus sentimentos e emoções eram uma incógnita. Menos pra mim. Eu conhecia suas razões, eu sofria com suas buscas sem fim, eu estava lá... Ela era uma parte muito profunda de mim. Mas ela era a alegria de viver, enquanto eu era apenas um rosto triste na janela que nunca mostrou a ponta do dedo quando ela passava. Enquanto alguns a julgavam, eu a idolatrava. Talvez por que nunca soube ser livre assim.
Mas em algum momento, houve um descuido, um engano, uma placa errada na contramão. Os ventos a giraram talvez! Um caminho escolhido por não perceber a existência de outra direção. Ela sentia que alguma coisa não estava em seu devido lugar, mas acostumada a arriscar, seguiu o cheiro de uma nova emoção. Eu pude vê-la até o inicio daquele percurso, mas ela desapareceu no horizonte e por mais que tenha tentado, não a pude mais com os meus olhos alcançar.
Muito se fala por aqui. Alguns dizem que se perdeu no caminho e deve mesmo ter se transformado em mais uma vitima da cruel sociedade. Outros acreditam que possa ter criado juízo e ter virado mulher direita.
Quanto a mim, lembro daquela querida com uma saudade que me arranca a emoção e me leva as lágrimas. Sua essência virou tatuagem em meu olhar. Eu a queria perto de mim porque a coragem dela me despertava inveja, me encantava e me iludia. Prefiro acreditar que conseguiu.... Conseguiu novas emoções, grandes histórias e que ainda faz muito marmanjo rogar a Deus para prendê-la em seus corações.  Coisa que julgo utopia. Ainda lembro do seu sorriso generoso, tão contagioso que eu nem precisava saber do que se tratava... Eu apenas sorria junto. Ela sabia meu nome, e às vezes, fingia ser eu. Sorria... Na verdade, ela gargalhava com a possibilidade de se ver tão fora de si, tão diferente do que a fazia feliz. Em muitos de seus momentos, eu fui apenas um rosto infeliz na janela. Pra minha alegria deprimente, nunca precisei lidar com os erros dela, e pra minha tristeza, provavelmente, também nunca irei descobrir o que a deixava tão radiante.
Continuo aqui na mesma janela, e já não há nada de tão interessante pra ser visto há muito tempo. Apenas as vidas de sempre dentro de sua repetitiva, correta e limitada visão. Porém feliz... É o que dizem. Só sei de mim. Mas ela deve saber do mundo! Nos meus momentos nostálgicos, quando lembro da sensação de me imaginar livre como  ela, me encontro angustiada, pedindo por uma certeza de seus passos já sem rastros pra mim.Ah, saudosa parte de mim, dê-me ao menos o prazer de crer que tudo valeu a pena e que ainda és feliz. Deixe-me saber que tua vida foi, é, e será tudo o que você sempre quis. 


Gil Façanha

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