Sejam bem vindos pra dentro de mim. Aqui, estou expondo emoções, revelando minha alma, compartilhando com carinho... Publicando sentimentos. (Gil Façanha)

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

O amor...




Me conte se já souber o que é.
Me mostre se estiver ao alcance da visão.
Desenhe, se souber sua forma, seu designer.
Toque se for consistente.

Se for uma planta... Regue-a
Se for um poema... Recite-o
Se for uma cor... Pinte.
Se for melodia... Cante.
Se for uma lembrança... Emocione-se
Se for um sentimento... Apenas sinta, mas faça isso com intensidade, para que você nunca esqueça o que é o amor. Mesmo que jamais consiga explicá-lo. Por que os mais intensos sentimentos podem apenas ser sentidos, fazendo com que a compreensão deles seja possível apenas para um coração conquistado.

Gil Façanha

sábado, 12 de dezembro de 2009

Inocência


Tão protegida... Sem medo... Sem noção do mundo real... A felicidade é tão simples... O sorriso é tão fácil... A dor é tão passageira... Os problemas são tão imaginários... A mentira é uma palavra desconhecida... A verdade está nos olhos e todos podem ver... A saudade só está no dicionário e eu nem sei o que é isso... O amor é de mãe... Brincar é o melhor da vida... Se sujar de qualquer coisa é pura diversão... Correr na chuva é uma das maiores alegrias... Não há maldade em nada e tudo se transforma em “coisa de criança”...



Sinto falta da época em que eu me sentia simplesmente assim... Inocente...


Gil Façanha

domingo, 6 de dezembro de 2009

Partindo antes da chegada



Você vai e vem sem nunca chegar aqui. O que acontece no caminho que te traz de volta?

Quantas curvas são necessárias pra te fazer repensar o percurso?
Já pensei em construir uma ponte que ligue tuas intenções aos meus anseios... Mas já pensou quanto de conteúdo humano é possível se perder em uma construção dessas?
Quantas vezes os sentimentos serão gritados até perder a voz? Quantas estradas serão necessárias percorrer para se perceber que os calos sob meus pés já expõem minha estrutura óssea e imploram pra parar?
Quantos corações ainda conquistarei nessa busca sem fim, até que eu perceba que aquilo que eu procuro, incoerentemente eu deixei pra traz?
Quem sabe o futuro em um túnel do tempo aperfeiçoado e maravilhosamente adequado me traga o passado que me pertence e se faz presente no silêncio do meu quarto.
Quanto de mim mesmo ainda esconderei na esperança que alguém me revele aquilo que eu mesma pareço não querer ver?
Talvez a vida me surpreenda e ela mesma me descubra, faça uma revelação da minha própria alma, antes mesmo de eu conseguir entende-la.

Gil Façanha

domingo, 15 de novembro de 2009

Não tente entender



Tá combinado... Façamos assim. Vou sorrir quando quiser chorar pra que você não veja que algumas coisas não dependem do quanto você se dedica, e mesmo que me ames como ninguém jamais me amou, eu ainda posso sofrer por coisas que apenas eu, e algumas vezes, consigo entender.


Ok! Não se estresse. Sei que as vezes pareço distante, mas não se assuste, estou por perto. Só preciso dos meus momentos pra pensar... Viajar.

Não sofra, não chore, não espere algum tipo de sinal. Não faço sinais de fumaça, não conheço truques de mágicas, sou apenas um ser humano mais do que normal. Não me julgue perfeita ou merecedora demais. Estou apenas aprendendo com a vida, descobrindo o mundo, andando cautelosa como os pequenos animais.

Erro, acerto, busco, me perco, tento entender tudo o que a vida me faz agora. E como qualquer sentimental típica geminiana... Quando sente dor... Se isola e Chora.

Gil Façanha

Pura emoção


Sou a vontade contida, sou o desejo exposto no rosto.
Sou palavra sem explicação, sou os sentidos que ninguém possui.
Sou ventania que não quer destruir, sou tempo bom que vem pra acalmar.
Sou serenidade ao ouvir teus medos, sou a paz quando procuras refúgio.
Sou o medo de ter medo, sou a paixão que me consome por viver de emoções.
Sou o sonhar acordada, sou a melodia que toca pra você dormir.
Sou um barco a deriva no mar, sou aquela louca vontade de amar.
Sou a loucura nos momentos em que me sinto perdida, sou tranquilidade quando os teus braços me acalmam.
Sou a solidão tantas vezes necessária, sou a vontade de estar com você.
Sou as notas musicais que marcam aqueles inesquecíveis momentos, sou o tom desafinado quando ninguém me ouve.
Sou a compreensão em pessoa, sou a pessoa tantas vezes mal compreendida.
Sou a doçura que não demonstro, sou a delicadeza que não posso explicar.
Sou aquela mágoa esquecida, sou a vontade de perdoar.
Sou impulsiva, sou fogo de um vulcão, sou mais do que você pode ver.
Sou o que você já conhece, e o que nunca irá conhecer.
Mais da metade de mim é coração, em alguns poucos momentos sou razão.
Seja lá como for... Sou pura emoção.


Gil Façanha

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Gosto exposto

Era negro... Escuro como a noite sem luar. Não refletia nada. Tentei enxergar além daquilo que “simplesmente” parecia. Não encontrei nem mesmo uma fenda, uma rachadura qualquer de onde fosse possível irradiar luz.

Não traduzia tua personalidade, não tinha um toque de beleza sequer. Entre pele, pêlos e alguns sons que te envolviam mesmo parecendo nada significar naquele momento singular, fixei meu verde olhar naquela escuridão que me incomodava.

Olhei fixamente tentando achar a emoção que talvez tu tenhas tentado, desastrosamente, passar. No final, tudo era nada... Nada disse ou mesmo quis dizer. Não havia nenhuma intenção mais que supérflua e fria na tua escolha.

Tuas emoções se resumiram a um simples coração negro lapidado em pedra a pendular em teu pescoço.

Já estou de saída. Cansei de admirar o teu exposto mau gosto.
Gil Façanha

domingo, 1 de novembro de 2009

Gosto muito de você

Escrito por minha grande amiga, Adriana Galvão, há 10 anos atrás.
(Que bom reencontrar essa mensagem e eterniza-la aqui. Te amo minha amiga... Muito obrigada por tudo. Ah! A foto pra você tinha que ser o pi-piu né!rsrsrs..)

Gente que rir, que chora, que se emociona com uma simples carta, um telefonema, uma emoção suave, um bom filme, um bom livro, um gesto de carinho, um abraço, um afago...
Gosto de gente que ama e curte saudades, que gosta de amigos, cultiva flores, ama os animais, admira paisagens, poesias e escuta...
Gosto de gente que tem tempo para sorrir com bondade, semear perdão, repartir ternura, compartilhar vivências e dar espaço para as emoções dentro de si, emoções que fluem naturalmente de dentro de seu ser...
Gosto de gente que gosta de fazer as coisas que tem de fazer, sem fugir de compromissos difíceis e inadiáveis, por mais desgastantes que sejam...
Gosto de gente que colhe, orienta, aconselha, busca a verdade e quer sempre aprender, mesmo que seja de uma criança, de um pobre, de um analfabeto...
Gosto de gente de coração desarmado, sem ódio, sem preconceitos baratos e com muito amor dentro de si...
Gosto de gente que erra e reconhece, cai e se levanta, apanha e assimila os golpes, tirando lições dos erros e fazendo redentora suas lágrimas e sofrimentos...
Gosto muito de gente assim, e desconfio que seja deste tipo de gente que DEUS também gosta...


sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Algumas descobertas



Que sensação mais angustiante! Esse frio que me congela por dentro, me obriga a olhar pra baixo e ver a gravidade, sem pena, colar os meus pés no chão. Acho que a realidade acaba de me dominar. Meus objetivos tapam a visão das constantes paisagens que estavam aqui o tempo todo diante daquele olhar muitas vezes perdido.... É, acho que estou pronta pra abrir os olhos agora. Os dois pés no chão é o princípio pra quem vive no mundo real. Vamos ver onde vou chegar.

XXXXXXXXXXXXX

Não quero perder a imaginação... Apenas realizar mais!
Não quero deixar de voar... Apenas saber a hora de aterrissar!
Não quero deixar de sonhar... Apenas ser mais feliz quando estou acordada!
Não quero deixar de enxergar a realidade... Apenas saber lidar com ela!
Não quero temer a morte... Apenas aproveitar a vida!
Não quero nunca dizer adeus... Apenas sentir a alegria do reencontro!
Não quero deixar de temer... Apenas aprender a superar!
Não quero ser um exemplo de fé... Apenas nunca deixar de acreditar.
Gil Façanha

domingo, 18 de outubro de 2009

Amadurecendo os sonhos



Sonhar faz parte da essência humana. Ir à busca da realização desses sonhos faz parte da essência de quem acredita que sempre vale a pena apostar em seu próprio potencial.
Na busca por esses sonhos, muitas vezes travamos batalhas com situações difíceis, com pessoas difíceis, com obstáculos que algumas vezes nos parecem intransponíveis. Mas a maior das batalhas, é travada dentro de nós mesmos. É tão fácil pensar em desistir. Essa opção sempre estará ao alcance. Parece ser uma boa opção em alguns momentos do trajeto. Isso com certeza por que no momento da angústia não conseguimos nos ver no futuro... Olhando pra traz, imaginando como teria sido se tivéssemos continuado. Com o tempo aprendi uma coisa que normalmente é tão óbvia, mas não costumamos viver com essa consciência... O tempo SEMPRE passa. O que faremos durante esse tempo é que fará a diferença.
Tenho alguns poucos planos para os próximos cinco anos. Digo poucos por que não costumo planejar muito, apenas vou vivendo. Estou passando por alguns processos que me trazem momentos que dão vontade de jogar tudo pro alto e viver de sol e brisa. Mas quando olho pro futuro e me vejo apenas olhando esse tempo passar e sem ter feito nada por mim mesma, sem ao menos tentar realizar parte desses sonhos, já me sinto fracassada. Há dias em que me sinto cansada, chego a achar tantas coisas injustas. Mas como eu disse... O tempo sempre passa. Então escolhi lutar pelos sonhos agora. Cansar agora. Estressar-me agora. No futuro, desejo ter meu tempo livre para fazer das minhas realizações (aquelas que eu conseguir conquistar), a base para continuar a sonhar. Também aprendi que os sonhos nos dão forças pra continuar vivendo, buscando, arriscando...
As derrotas? As desilusões? Fazem parte do processo. Acredito que é através delas que conseguimos mudar a trajetória, descobrimos novas possibilidades, reconhecemos alguns erros do percurso... E quer saber de uma coisa? Só se sente derrotado quem luta por algo... E como o melhor da vida é ver o lado bom até do que não parece tão bom assim... Eu diria que o lado bom da derrota é descobrir que ainda temos tempo de consertar os erros do caminho traçado e fazer bom uso da maturidade que as circunstancias nos trazem, pra continuar tentando.
Também tenho medo. Também sinto aquele frio na barriga sempre que vou dar um novo passo. Ainda me preocupo com algumas opiniões, coisa que não deveria, mas que ainda me afetam. Na realidade dos sonhos que vivo a buscar, não estou sozinha dentro dela. Existe todo um mundo a minha volta e mesmo que eu deseje o oposto de vez em quando, faço parte desse todo que quase me enlouquece em alguns momentos. Mas não vou parar. Esteja eu pronta ou não, o tempo não me pertence e ele não vai parar pra me esperar.
Não tentar? Ter medo de chegar lá e não ser como eu sonhei? Não é mais uma opção pra mim. Hoje, a única coisa que me permito desistir... É de pensar em desistir.


Gil Façanha

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Meu eu em você



Música de Paula Fernandes


Eu sou o brilho dos teus olhos ao me olhar, sou o teu sorriso ao ganhar um beijo meu

Eu sou teu corpo inteiro a se arrepiar, quando em meus braços você se acolheu

Eu sou o teu segredo mais oculto, teu desejo mais profundo, Teu querer..

Tua fome de prazer, sem disfarçar, sou a fonte de alegria..Sou o teu sonhar

Eu sou a tua sombra, eu sou teu guia, sou o teu luar em plena luz do dia

Sou tua pele, proteção..Sou teu calor, eu sou teu cheiro a perfumar o nosso amor.

Eu sou tua saudade reprimida, sou teu sangrar ao ver minha partida

Sou teu peito a apelar gritar de dor, ao se ver ainda mais distante do meu amor

Sou teu ego, tua alma, sou teu céu, o teu inferno..A tua calma

Eu sou teu tudo..Sou teu nada, sou apenas tua amada...

Eu sou teu mundo, Sou teu poder,Sou tua vida,sou meu eu em você.

domingo, 20 de setembro de 2009

Prazerosa solidão



Realmente são as coisas mais simples que me fazem feliz. Hoje tive um dia maravilhoso diante da união perfeita e luminosa do sol com o mar.
O brilho que refletia na água e ofuscava meus olhos, parecia estar ali para dar um caloroso bom dia.
Há muito desejava esse encontro solitário, e por duas horas pude curtir esse aconchego... Prazerosa solidão. Desta vez não fui a lugar algum, não pensei em problemas ou sonhos, apenas estive lá, admirando, sentindo aquele calor que revigora a energia da mente e do corpo.
Curtir a própria companhia é uma arte que preciso aperfeiçoar. Senti-me leve, livre, podendo dentro do meu escolhido silêncio, simplesmente ser EU... Sem necessidade de explicações ou razões.
Não procuro agora fazer poema ou alcançar rimas. Ainda estou no mesmo clima de simplicidade que meu despretensioso encontro com o mar me proporcionou. Faço aqui apenas um depoimento pra dizer que acabo de descobrir que estar bem acompanhada é maravilhoso... E que às vezes, não há melhor companhia que você possa ter, do que você mesmo.


Gil Façanha

sábado, 19 de setembro de 2009

"Aquela saudade"



Essa noite eu sonhei com você.

Tentei lembrar teu nome na ânsia de te pedir pra ficar.

Reconheci aquele sorriso franco que me transmitia paz...

Reconheci aquele olhar cheio de dedos que me queria demais.
Pude sentir aquela energia que acelerava meu coração...

Pude ver em tuas atitudes, qual a tua razão.
Senti uma dor no peito, tão forte que foi até maldade...

Neste exato instante, gritei teu nome... Te chamei de saudade.


Gil Façanha

domingo, 13 de setembro de 2009

Confiar...

Deus me trouxe até aqui e deixo em suas mãos o meu destino. Não sei onde ele me leva, só sei que irei chegar. Às vezes é difícil “apenas” confiar... Dizem que isso é o mistério da fé. Acreditar em algo que você não vê e esperar por algo que você ainda não sabe o que é.
Tantas vezes já parei a beira do caminho e me perguntei o que andava fazendo da minha vida! Nunca encontrei uma resposta. Talvez por que quando isso acontece, eu esteja lotada de ansiedade, curiosidade, as vezes até angustiada por não conseguir nem mesmo imaginar onde vou chegar de acordo com as decisões que penso em tomar. Preciso acreditar mais na sabedoria Divina.
Decidir é difícil. Principalmente quando algo dentro de você te segura pela alma e parece mesmo GRITAR “não vá por aí”. Nesses momentos eu paro e tento ouvir algo mais... Ilusão... Solidão de situação... Sabe como é? Ninguém com quem conversar, até porque ninguém entenderia mesmo. Tudo o que sinto é uma grande imposição da palavra FÉ... Isso é tudo o que me resta. Não há garantia em nada nesta vida. Tudo o que se decida fazer poderá te levar a milhares de outras situações que podem ser melhores ou piores. A questão é quanto você está disposto a arriscar e qual a recompensa que te aguarda do outro lado... Quando existe alguma. Mas e quando você não tem nenhum sinal? Ninguém te diz nada, todos se calam, se afastam como quem diz “o problema é seu e é só você e Deus”. Bom, na verdade acho que é isso... Neste mundo, o único amigo certo pra todas as horas é DEUS.
Fé é realmente TUDO... O que preciso. Acho apenas que bem que poderia ser mais fácil. Ter essa consciência é simples, difícil é pô-la em prática. Mas se tudo fosse tão simples, que graça teria? Sei lá...
Acho que me perdi em algum ponto e não lembro exatamente onde foi. Já tentei voltar pelo mesmo caminho, mas nem mesmo sei em que ponto comecei. As pegadas se foram... Tem chovido muito por aqui. Algumas tempestades transformam toda a paisagem. Acredito que o que me resta é me adaptar, limpar os destroços, continuar caminhando, esperar e no mais... Confiar.


Gil Façanha

sábado, 12 de setembro de 2009

Viagem solitária



Uma viagem solitária ao fim da tarde... A imaginação me traz um cenário já visitado, sensações já vividas.


Refaço antigos percursos, adentro em ambientes ardentemente desconhecidos, vou onde quero.


Me surpreendo ao descobrir novas portas que se abrem suavemente ao toque das minhas mãos.


Novas sensações me consomem em uma rápida e delirante explosão que me aquece o corpo inteiro.


Solitária e ardente descoberta... Respiro fundo... Meu corpo se encontra em um trêmulo silêncio... Enfim, adormeço.
Gil Façanha

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

O poema de uma canção



Metade (Oswaldo Montenegro)


Que a força do medo que tenho não me impeça de ver o que anseio

que a morte de tudo em que acredito não me tape os ouvidos e a boca

porque metade de mim é o que eu grito mas a outra metade é silêncio.

Que a música que ouço ao longe seja linda ainda que tristeza

que a mulher que amo seja pra sempre amada mesmo que distante

porque metade de mim é partida mas a outra metade é saudade.

Que as palavras que eu falo não sejam ouvidas como prece e nem repetidas com fervor

apenas respeitadas como a única coisa que resta a um homem inundado de sentimentos

porque metade de mim é o que ouço mas a outra metade é o que calo.

Que essa minha vontade de ir embora se transforme na calma e na paz que eu mereço

e que essa tensão que me corrói por dentro seja um dia recompensada

porque metade de mim é o que penso mas a outra metade é um vulcão.

Que o medo da solidão se afaste e que o convívio comigo mesmo se torne ao menos suportável

que o espelho reflita em meu rosto um doce sorriso que eu me lembro ter dado na infância porque metade de mim é a lembrança do que fui a outra metade não sei.

Que não seja preciso mais do que uma simples alegria pra me fazer aquietar o espírito e que o teu silêncio me fale cada vez mais

porque metade de mim é abrigo mas a outra metade é cansaço. Que a arte nos aponte uma resposta mesmo que ela não saiba e que ninguém a tente complicar

porque é preciso simplicidade pra fazê-la florescer

porque metade de mim é platéiae a outra metade é canção.

E que a minha loucura seja perdoada porque metade de mim é amor

e a outra metade também.

sábado, 29 de agosto de 2009

Ser adulto



Arnaldo Jabor


Sempre acho que namoro, casamento, romance tem começo, meio e fim. Como tudo na vida. Detesto quando escuto aquela conversa:- 'Ah, terminei o namoro... '

- 'Nossa, quanto tempo?'- 'Cinco anos... Mas não deu certo... Acabou'- É, não deu...?

Claro que deu! Deu certo durante cinco anos, só que acabou. E o bom DA vida, é que você pode ter vários amores.Não acredito em pessoas que se complementam. Acredito em pessoas que se somam.

Às vezes você não consegue nem Dar cem por cento de você para você mesmo, como cobrar cem por cento do outro.E não temos esta coisa completa.

Às vezes ele é fiel, mas não é bom de cama.

Às vezes ele é carinhoso, mas não é fiel.

Às vezes ele é atencioso, mas não é trabalhador.

Às vezes ela é malhada, mas não é sensível.

Tudo nós não temos.

Perceba qual o aspecto que é mais importante e invista nele.

Pele é um bicho traiçoeiro. Quando você tem pele com alguém, pode ser o papai com mamãe mais básico que é uma delícia. E as vezes você tem aquele sexo acrobata, mas que não te impressiona...

Acho que o beijo é importante...e se o beijo bate...se joga...senão bate...mais um Martini, por favor...e vá Dar uma Volta.

Se ele ou ela não te quer mais, não force a barra. O outro tem o direito de não te querer. Não lute, não ligue, não dê pití. Se a pessoa tá com dúvida, problema dela, cabe a você esperar ou não. Existe gente que precisa DA ausência para querer a presença.

O ser humano não é absoluto. Ele titubeia, tem dúvidas e medos mas se a pessoa REALMENTE gostar, ela Volta.

Nada de drama. Que graça tem alguém do seu lado sob chantagem, gravidez, dinheiro, recessão de família?

O legal é alguém que está com você por você. E vice versa. Não fique com alguém por dó também. Ou por medo DA solidão. Nascemos sós. Morremos sós. Nosso pensamento é nosso, não é compartilhado. E quando você acorda, a primeira impressão é sempre sua, seu olhar, seu pensamento.

Tem gente que pula de um romance para o outro. Que medo é este de se ver só, na sua própria companhia? Gostar dói.

Você muitas vezes vai ter raiva, ciúmes, ódio, frustração. Faz parte. Você namora um outro ser, um outro mundo e um outro universo. E nem sempre as coisas saem como você quer... A pior coisa é gente que tem medo de se envolver.

Se alguém vier com este papo, corra, afinal, você não é terapeuta. Se não quer se envolver, namore uma planta. É mais previsível.

Na vida e no amor, não temos garantias. E nem todo sexo bom é para namorar. Nem toda pessoa que te convida para sair é para casar. Nem todo beijo é para romancear. Nem todo sexo que nao é Tao bom é para descartar. Ou se apaixonar. Ou se culpar.

Enfim... Quem disse que ser adulto é fácil?

domingo, 23 de agosto de 2009

Tolhida



Cultivo um espaço limitado, despreparado para uma leitura sensual das mais quentes e ardentes emoções impróprias para meus seguidores.
Cercada pelas grades das razões que me impedem de usar a transparência dos meus sentidos que revelariam as curvas dos meus desejos, não correria o risco de exibir em um momento impensado, as nuances das mais secretas fantasias. Como sonhar sem tirar o pé do chão? Não! Simplesmente impossível pra mim.
Diante das previsíveis, desnecessárias e inevitáveis explicações que obviamente se originariam das interpelações dos meus inocentes e curiosos leitores, me perco em minhas próprias palavras.
Tentando ser direta sem ser óbvia, busco em meu limitado vocabulário, a clareza recoberta por uma tênue névoa de vagas interpretações. Leio textos de outros autores. Busco não revelar minhas emoções ao perceber que parecem falar de mim sem ao menos me conhecer... Mesmo tendo aquela nítida impressão de que parecem saber muito sobre meus sentidos, sobre como me fazer sentir...
Relembro momentos que nunca foram vividos. Fantasio... Acredito em fadas... Sei que posso ir, não aonde meu corpo quer chegar... Mas apenas onde minhas limitadas palavras podem me levar.


Gil Façanha

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Desabafo


Na busca por reconhecer nesse momento a necessidade de me sentir tão decepcionada com as expectativas geradas pelas minhas próprias esperanças, me entristece perceber que nunca sabemos exatamente onde vamos parar ou quanto devemos mesmo acreditar nas boas fases.

A palavra frustração não me assusta, mas o que ela me faz sentir me faz regredir a uma época na qual a indefesa sensibilidade que trago comigo, mesmo tentando sempre esconder, me dominava e me expunha aos olhos de quem não merecia me ver.

As vezes me questiono quantas vezes na vida precisarei usar aquela capa protetora, que parece atrair mais um falso respeito do que a realidade consegue trazer a real admiração.

Dá pra mudar de planeta? Só de vez em quando!! A vida real me lembra mais uma novela escrita por vários autores que parecem não chegar a um consenso de qual final pareceria ser mais feliz. Na verdade, acho que todos estão mesmo é preocupados com a audiência, e pra isso, qualquer drama serve. Pena que vem sem fundo musical... Assim, quem sabe, poderíamos imaginar que daria pra viver um pouco em câmera lenta. Ao menos nos bons momentos que parecem voar sem direito a cenas dos próximos capítulos, Sem repeteco. Parece que tem sempre alguém se esquecendo de gravar as melhores cenas pra serem vistas de novo.

Pra piorar, parece que nos momentos de angústia, o tempo se arrasta. Que porra é essa? Será que dá pra alguém parar o planeta só pra eu descer enquanto não estou tonta o suficiente pra cair dele sem ninguém perceber?

Tudo bem, já sei! É só gritaaaaaaaarr... Ufa! Não estou me sentindo melhor! Mas sou apenas uma passageira nesse bonde chamado vida que trafega nessa estrada chamada mundo. Amanhã me sentirei melhor. Com certeza em pouco tempo estarei rindo de novo e com aquela vontade de ser irônica de vez em quando com aqueles que pensam que sabem o que estou realmente dizendo. Sei lá... Faço parte disso tudo... Tudo isso faz parte da vida, mas não fará parte de mim... E o que trago aqui... Tem que ser do meu planeta pra descobrir.

Ainda bem que existe o mar.... É incrível como estando apenas diante dele, sem molhar a pele, ainda assim, é possível mergulhar.

Gil Façanha

sábado, 1 de agosto de 2009

Via Costeira

Todas as vias passam por algum lugar, todo lugar usa uma via pra chegar.
Porém nem todas as vias têm a tua beleza, nem todos os lugares têm o poder que tu tens de me dar algumas certezas.

Tua beleza espalhada a beira de uma via inteira, me traz lembranças de toda uma vida. Admirando pela janela o esverdeado azul do mar, sentindo o vendo no meu rosto, imaginar o calor das tuas águas me faz esquecer onde estou, me faz lembrar onde quero chegar.

Deslizando sobre tua quente pele negra, faço viagens onde só eu sei onde estou. Por maravilhosos 14 quilômetros, ao som das canções que marcaram minha vida, sou exatamente o que sou.
Que prazeroso são os poucos momentos que tenho com você. Aguardo um belo dia de sol só pra te visitar. Aguardo um momento livre, só pra poder te olhar.

Na solidão da tua via costeira, desejando que seja por ti que finalmente eu chegue a algum lugar... Vendo o mar passando lentamente pela minha janela... Jamais cometerei o desrespeito de passar por ti sem te admirar.


Gil Façanha

terça-feira, 28 de julho de 2009

Quase...



Não estais ao meu alcance. Tuas canções compostas na lembrança das noites ardentemente vividas não estão mais expostas aos meus sentidos. Furtas da minha visão o prazer de tuas letras, furtas da minha audição o encanto da tua voz. Vejo-te ao longe e te percebo cada vez mais distante. Diante da ilusória ótica que a distância me proporciona, pareço quase tocar-te, e neste instante, minhas mãos quase sentem tua pele novamente.

Minha imaginação que brinca com meus sentidos, me causa a dolorosa ilusão de que te sinto cada vez que fecho os olhos e revivo antigos momentos. Que estranha é a sensação de acordar dos sonhos onde tu és o personagem principal.

Não tem problema, podes partir. Não te seguirei rumo ao destino que estais a buscar. Ficarei aqui, no mesmo lugar onde um dia eu te encontrei. O futuro não é garantido, nem sei se ele chegará. Se o nosso destino a Deus pertence, então por que me preocupar?
Gil Façanha

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Estranha tristeza



Que dia estranho!


Hoje senti uma imensa tristeza que ameaçava me consumir. Uma saudade do que não tive... Uma sensação aparentemente sem razões publicáveis.


De repente senti um vazio no peito que me causou um frio por dentro. Fiquei pensando o que poderia estar prevendo e lembrei que não sou vidente. Então fiz um tour mental pela minha vida e tudo o que posso falar, é que só pude ter a certeza de ter tido um dia muito estranho.


Gil Façanha.

sábado, 25 de julho de 2009

Nas ondas da vida



Nessa estrada por onde você escolheu caminhar levando todas as lembranças do que um dia fomos nós, em algum lugar da sua memória, estarei para sempre guardada entre suas melhores recordações.
Fugindo das emoções que por tanto tempo me dominaram, parti sem dizer adeus. Não reconheço meu caminho, não me lembro de tê-lo traçado ou em que momento perdi o chão. Muitas vezes não há sensatez na perfeição, não há certezas na felicidade, não há razão nas emoções.
Parto hoje por que um dia me senti acorrentada as amarras que me mantiveram presa a um cais qualquer, e buscando liberdade nas águas que me levam, navego agora sem âncora, sem saber onde vou parar.
Na velocidade do vento que me comanda... Navego... Navego... Esperando nunca naufragar.

Gil Façanha

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Minha visão da Fé



Diante de todas as coisas que precisamos aprender na vida, não há lição mais difícil do que aprender a ter a verdadeira fé. Lendo algo assim, talvez muitas pessoas possam dizer até de uma forma indignada, que elas têm fé sim, e que não há dúvidas sobre isso.


A maioria dos fervorosos que propagam aos quatro cantos do mundo o poder de sua fé, alguns passarão pela vida sem conhecer a dor de se ter fé de verdade. Sim! A verdadeira fé machuca o peito do homem que só acredita em algo que pode tocar com as próprias mãos ou testemunhar com a luz de seus olhos.


Para mim, a verdadeira fé é pedir a Deus que seja feita a vontade dele em minha vida e acreditar de tal forma, que as angústias que os sonhos me trazem, não apertem mais o meu peito, mas que apenas me faça lembrar que a espera pelas conquistas que desejo ter na vida é fruto não só do que mereço, mas também do que preciso e que apenas Deus possui esse imensurável conhecimento.


Para mim, a verdadeira fé, é reconhecer os meus erros, temer os castigos, porém maior que o temor é a certeza de que Deus em sua infinita misericórdia, reconhecendo as razões do meu coração, as fraquezas da minha alma, as dúvidas da minha mente, será capaz de perdoar e me ensinar também através da formação de uma nova consciência e não apenas através da dor.


Para mim, a verdadeira fé, é se ver merecedor de cicatrizes mas ao mesmo tempo ter a absoluta convicção de que o Pai irá proteger meu corpo, mantendo-o são, enquanto caminho por entre roseirais onde flores e espinhos se confundem acariciando a pele e marcando a alma.


Para mim, a verdadeira fé é se sentir protegido entre inimigos, não apenas acreditando que Deus está comigo, mas sentindo sua presença de tal forma que me cause tristeza perceber, não minha vitória, mas a derrota certa dos que me espreitam e que quase sempre não aprendem nada com isso.


Para mim, a verdadeira fé não questiona a demora, a forma. As vezes sentimos o peito apertar como reflexo de uma ansiedade, a mesma que abala o sentido da verdadeira fé quando em algum momento de fraqueza tememos o futuro, ou quando temos pressa.


Para mim, a verdadeira fé não se conquista sem a experiência de se sentir só, de se sentir perdido, sem saída, a beira do abismo e é exatamente nos momentos mais difíceis que a fé machuca. Pois é aí que precisamos levar em conta que a nossa interpretação para os fatos da vida nem sempre será compatível com as intenções divinas, e nesse instante, olhar para dentro de si, respirar profundo e pensar que Deus sabe o que é melhor pra mim e quando, aquilo que me pertence será realmente meu, compreender que o sofrimento as vezes é um mal necessário e manter a tranqüilidade da esperança, demonstra a verdadeira, a mais difícil, dolorosa, resignada, porém incrivelmente recompensadora FÉ.


Gil Façanha

domingo, 19 de julho de 2009

Ser complexo


Que complexidade é essa que define o ser humano e que os confundem tanto, traduzida nesta dualidade de desejos e sentimentos que os alimentam em busca de algo grandioso que se chama “felicidade”?

Dizem que os olhos falam muito dos sentimentos de uma pessoa, mesmo que em igual momento, possa se negar muito com os lábios. Que necessidade é essa que nos faz pensar que um olhar seja capaz de dizer tudo? O que nos garante que ele não esconde mais do que revela?

Muitas vezes, sentimos aquela vontade faminta, pois que nos consome, de sabermos com ênfase em cada importante palavra, o que se torna real diante das revelações de um ser corajoso o suficiente para se apresentar diante da vida, sem o temor da morte...da morte do amor, da esperança, da expectativa muitas vezes exageradamente sentimental, posto que somos seres por natureza, dependentes de carinho e atenção.

Cada atitude duvidosa, cada palavra escondida que se materializa em meio a um suspiro a ponto de quase conseguirmos ler, interpretar as intenções que se escondem por trás daquele sufocante nó que se sente no peito, nos dá a falsa e acalentadora sensação de que finalmente sabemos o que está sendo dito, nos fazendo esquecer que nem sempre é o mesmo que está sendo sentido. Em momentos assim se perecebe a complexidade de ser simples.

Sonhamos com tantas coisas, lutamos por elas, mas o cansaço as vezes parece em algum momento QUASE nos vencer. Precisamos mesmo começar a nos olhar “por outro ângulo”. Esperamos sempre algo de todos que nos rodeiam. Dizemos que não! Mentira! A complexidade humana nos leva muitas vezes por um caminho, onde só conseguimos enxergar uma única mão (direção), porém quando essa via tem mão dupla, não percebemos que aquilo que nos aflige, nos incomoda, ignoramos de certa forma, é muitas vezes, aquilo que temos em nós mesmos ou exatamente aquilo que damos aos outros e que parece tão duro quando vêm em nossa direção.

Objetividade confundida com grosseria, carinho que confundem amizades, paixões sufocadas, erros dos outros que muitas vezes parecem acertos quando são nossos.

Como posso ser, enquanto humano, portanto passivo de erros, falhas...tão exigente com aqueles que conquisto e que fazem de mim um ser conquistado? Como posso de forma tão intransigente, esperar que os outros sejam exatamente como acho que deveriam, se o que eles esperam de mim me incomoda tanto?

Como posso me julgar tão objetivo se tantas vezes sou capaz de esquecer que o significado da palavra “objetividade” vem acompanhada de “qualidade”...a qualidade dos sentimentos, atos, intenções, a qualidade da aceitação, e que para tal, preciso começar por mim mesmo?

Ser complexo, é ser “humano’...ser “humano”, ainda é buscar a aceitação da minha objetividade mesmo que não consiga aceitar nos outros. Gosto das coisas claras, ainda que não tenha a menor intenção de esclarecer nada.


Gil Façanha

sábado, 18 de julho de 2009

Metade de Mim



Neste quarto há um vazio.
Olho para o lado e não vejo nada!
Onde está essa parte de mim?

Ando pela casa a procura de algo e nada encontro!
Que parte é essa que não vejo?

Tantas coisas se passam a minha volta, carros, cores, luzes, correria, e não sinto nada.
Que parte é essa que leva meus sentidos?

Vou, venho, quero, não quero, tenho, não tenho.
Que parte é essa que me confunde com sua ausência?

A noite vem novamente, mais um dia se vai,
Penso, desejo, me amo,
e nesse orgasmo de sensações, comemoro um dia a menos, choro por um dia a mais.
Quero ter essa metade de mim
Quero ter algo assim que me traga você
Quero teu amor e teu sexo
Para que eu possa ser eu por completo.


Gil Façanha

Escrito há nove anos em um momento de saudades daquele que é hoje meu Marido.





quarta-feira, 15 de julho de 2009

Buscando um caminho



Diante das inevitáveis mudanças que andam me confrontando, sinto-me fortemente agredida pelas angústias que corroem algumas das minhas mais jovens esperanças.
Meu olhar que atravessa a todos que julgam me conhecer, não revela nada! Vejo o horizonte que se constrói por trás das paredes que me cercam. As mesmas paredes que anseio um dia ultrapassar.
Minha audição perfeita enche minha mente de desejos. Tenho sonhos... Dos outros ... Os meus!
A minha realidade se mistura ás vozes que amigavelmente reconheço. Desejo desesperadamente chegar a algum lugar.
Ouço, imagino, sofro, choro, duvido, questiono as escolhas que surgem das mais belas fontes que ainda não conheci. Onde mesmo tenho que ir? Nem mesmo sei onde estou. Se alguém me indicar a direção... Eu vou!
Inspirado em Patty.
Gil Façanha

Minhas impressões em você



Existe uma grande vantagem em ser uma pessoa analítica. Sentar no canto da sala, em silêncio, na intenção de passar despercebido aos olhos dos presentes e apenas, observar... Nos trás uma pequena vantagem diante daquelas pessoas que pensam que tua quietude, reflete tua personalidade e que por isso te julgam frágil, sem defesa, sem força.
Por algum tempo, você está lá... Olhando, analisando, medindo o espaço pra saber até onde é mais adequado ou seguro chegar, as pessoas em quem aparentemente você pode confiar ou ao menos se permitindo descobrir até que ponto e a quem vale mesmo a pena dar crédito.
O tempo passa você começa a se mostrar simpático, companheiro, aberto a novas amizades e sempre ausente dos grandes conflitos. Todos pensam que não há nada de extraordinário ali. Podem falar alto, ignorar tua presença, te olhar de cima mesmo que aparentemente eles estejam em baixo.
Um belo dia, quando você se cansa do tédio da simples observação e sente aquela estranha força que te chama pra vida e te força a tomar posições, a dar opiniões, todos se chocam. Derrepente parece que você é aquele famoso lobo em pele de cordeiro.
Não é incrível a medida de cada um? Por que será que para algumas pessoas só há um peso, uma única medida? Somos por natureza, seres que se adaptam... Sou por natureza, aquilo que despertam em mim. Cultivo a maturidade da observação, a curiosidade de descobrir até onde estou certa em minhas impressões, a sabedoria de adotar a convivência com a paz, a pureza dos que se entregam as amizades como fonte de energia trocada e diariamente renovada.
No entanto, cultivo também a indignação com a falsidade, a natural explosão gerada pelas injustiças e o defeito do perfeccionismo que parece encantar alguns e despertar a inveja de outros.
Ok! Desculpe-me, é assim que sou. Estou no mundo tentando ser o melhor que puder ser. Tenho meus princípios e procuro defendê-los. Não esperem que eu baixe a cabeça durante todo o dia. Haverá momentos nos quais não poderei me calar. Não tenho a intenção de agredir, mas a de progredir. Não espero que entendam, desejo apenas que respeitem.
Não busco a sorte, busco o mérito que vem com o trabalho digno e com o resultado das boas intenções. Se não puderem entender que cada pessoa é um ser com qualidades diferentes e que, portanto precisamos aprender a lidar com essas diferenças... Não há problema! Continuarei subindo enquanto alguns param pra julgar os que por eles passam.
Não se preocupem! Tenho mesmo a pretensão de lhes dar muito assunto pra falarem do que acham que sabem de mim. Se algum dia me virem muito distante, não temam! O mundo dá voltas... Agente se vê por ai.
Gil Façanha

terça-feira, 14 de julho de 2009

Rosas que deixam marcas





Tantas coisas deixei pra trás, tantas coisas que não existem mais. Olho fixo para um ponto onde posso com a mente viajar. Deixei tanta criatividade, tanta oportunidade passar. Perdi minha identidade, nem sei mais como me chamar... Gastei a tinta de uma caneta que parecia nunca acabar.



Escrevi, cantei, compus serenadas que nunca toquei... Onde estão minhas letras? Onde está tudo o que sonhei?



Os pensamentos me seguem aonde vou... Sentimentos que definem onde estou... Sabedoria que conquistei com a dor... Dúvidas que me trouxe o amor.



Levo as cicatrizes que conquistei abraçando rosas... Os espinhos me deixaram marcas horrorosas. As pétalas usei para me curar... Mas as marcas... Essas para sempre no meu corpo irei levar.
Gil Façanha

Tempo



Nas etapas que vivemos na vida, não sabemos aonde iremos exatamente chegar.


O tempo, inimigo da angústia, amante da esperança, desfila diante do nosso arregalado e impotente olhar.


Parece que nos mostra com deboche que só ele sabe tudo o que vamos passar. Não adianta questionar, gritar, desfalecer de dor, ser feliz de amor.


O tempo, senhor de todos os dias e horas, é implacável com a pressa, com a ânsia das novas descobertas, com as revelações enlouquecidamente esperadas, com as verdades das grandes promessas.


O tempo, que não sabemos o que é... Se chamamos coisa, homem ou mulher... Esteja você onde estiver.... Você não tem como evitar... Ele está em todos os ângulos que quiser olhar.


Do ponto da estrada onde estou, olhando duas faces... De onde vim... Pra onde vou... Vejo que quase desenha um futuro. Certeza não tenho, não há caminho exatamente seguro.


O torturante tempo, parece querer brincar! Passa quando eu não quero, e quando quero... Brinca de se arrastar.


Tudo bem, você venceu. Esperava não precisar por ti, esperar... Mas o tempo é meu, portanto mais ninguém pode ajudar. Estarei aqui, seguindo os rastros do que parece me pertencer, alimentando a doce ilusão de que algum dia poderei vencer.


... Se convincente o tempo for, eu irei com paciência por ele aguardar... Se paciência eu não tiver.... Que pena... Não há nada que o tempo faça pra me agradar.
Gil Façanha

Temporal



Por trás da proteção que eu poderia facilmente dispensar, admiro tua beleza, tua força, tua frieza que ao mesmo tempo é capaz de me despertar sentimentos tão calorosos.
Não me assusto com tua capacidade de me manter estática, represada como eu nunca poderia fazer contigo.


Não tenho como te segurar comigo. Foges por entre os dedos, não há consistência no teu toque. Mas o teu cheiro...Ah, teu cheiro me remete à infância. Àquele tempo onde eu já te buscava com ansiedade e guardava o aroma da tua breve e intensa visita, para que dá próxima vez, eu pudesse me preparar, antes mesmo de você chegar.

Hoje, ainda meio sem saber o por que...Me protejo de você. Ainda sinto sua chegada, pois aquele cheiro ainda está em mim e o coração acelerado, denuncia sua visita que me agrada, como sempre. Mas agora, não corro mais ao seu encontro. Me defendo de ti, por que os meus “inadiáveis” compromissos exigem que eu não dedique mais o meu tempo à você. Me obrigam a negar o teu convite, e ainda com o olhar de saudade, de quem realmente pede aquilo que na verdade não deseja, te digo pra partir. Pareço não ter mais tempo pra você, mas acredite, é apenas a rotina do dia-a-dia que me obriga a isso, e como sempre, quando você finalmente me obedece e se vai levando consigo todas as minhas melhores memórias... Boto os pés no chão, me sentindo mergulhar nas doces lágrimas de quem não encontrou o que aparentemente veio buscar.

Sentindo ainda uma brisa frágil que traz com ela alguns resquícios do que ainda é você, me sinto ridícula quando me percebo satisfeita em ter tão pouco de ti. Tento me consolar novamente, me convencer de que apesar das constantes despedidas, basta aguardar mais uma noite de inverno ou tua visita surpresa em noite quente, para que eu possa ter mais uma chance de correr ao teu encontro, ou simplesmente, me proteger mais uma vez da tua força e no meu insignificante lugar na tua vida...diante da tua vinda...Eu possa ao menos te admirar, e com tua beleza exibida diante dos olhos dos que se deslumbram ou se assustam com o teu poder, eu consiga algum dia, ao menos por um breve momento, ter aquele antigo contato íntimo contigo, para lembrar daquela época onde você...CHUVA... Fina ou temporal era apenas sinal de fertilidade.



Gil Façanha

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