Sejam bem vindos pra dentro de mim. Aqui, estou expondo emoções, revelando minha alma, compartilhando com carinho... Publicando sentimentos. (Gil Façanha)

domingo, 31 de outubro de 2010

Amor destrutivo (Qualquer semelhança com a realidade, é pura verdade)


Ela queria evitar o absurdo e alcançar a porta que estava bem ali. Queria fugir daquele escuro enquanto a luz ainda podia ser vista. Não desejava ser detida pelo vicio mais poderoso... O vício de a ele pertencer.

Ela queria partir enquanto ainda havia forças, enquanto ainda podia pensar.  Antes que a loucura os dominasse, e ninguém os conseguisse salvar.
Ela dizia não para a inconseqüência, não queria que aquilo virasse doença, lutava pra não se entregar ao que estava tão propensa. A loucura dele, o levava pra longe, tão longe que ela não podia alcançá-lo. Ele insistia na tentativa absurda de enxergar diversão na autodestruição. Mas nem todas as histórias possuem um final feliz. Ela já não era mais a mesma, e ele deixou de ser tudo o que ela sempre quis. A casa agora está vazia... Apenas dois corpos jogados ao chão. Ela tentou sobreviver... Mas ele, não.

Gil Façanha

Apenas por que sinto..


Apenas por que sinto uma força estranha, uma atração medonha... Quero me entregar.
Apenas por que sinto uma dor no peito, daquelas que não tem jeito... Me ponho a chorar.
Apenas por que sinto que me perco por dentro, que me escondo por fora.... Me ponho a sonhar.
Apenas por que sinto uma saudade imensa, daquela parte propensa.... Começo a me questionar.
Apenas por que sinto que não sou o que quero, e há momentos em que me desespero.... Consigo rezar.
Apenas por que eu sinto que queimo por dentro, e tantas coisas repenso... Eu temo pecar.
Apenas por que sinto que sou tantas em mim, e sem saber ser assim... Acho absurdo me classificar.
E assim como "o que não tem vergonha, nem nunca terá, o que não tem governo, nem nunca terá... O que não tem juízo"¹... Ainda será.... Apenas por que sinto.


Gil Façanha

¹ Trecho da música "o que será que será" de Chico Buarque

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Por uma razão ilógica



Por alguma razão ele não se percebia o suficiente. Ele sabia o que procurava, mas não reconhecia ao encontrar. Ele teve, em muitos momentos de sua vida, o que poderia ter sido perfeito, se pra ele, não fosse apenas comum. Ele queria mais. Agente sempre quer.
No início, tudo se resumia em intensidade. Tudo virava poema. Tudo parecia com o que ele mais queria. Ao menos naquele momento. Com o tempo, as imperfeições que cada ser constrói e conserva dentro de si, são expostas, são reveladas. Ele buscava alguém perfeito, mas na loucura de acreditar que a perfeição existia, encontrava no caminho, a certeza da ilusão. Todo momento era intensamente vivido... Ele sabia que o momento era tudo o que ele tinha. Mas as angústia dos dias que se tornavam meses , trazia pra ele, a certeza de que a felicidade não se prolongava em suas descobertas. Talvez por suas emoções serem tão razões, não era possível se entregar tanto.  A prisão por opção, nunca fez parte de seu menu existencial. Ele não queria fazer sofrer... Mas na busca por ser feliz, desencantava, com sua inconstância, os mais belos sorrisos que o seu amor ilusório podia causar.
Por alguma razão, era difícil vê-lo realmente feliz. Parecia haver motivos para vê-lo sorrir. Mas creio que essa é uma certeza só dele. Muitos julgavam conhecê-lo, mas não sei se alguém o alcançou um dia. Ele não era um mistério! Uma incógnita! Ele era apenas sua própria razão. Tão dele, que se tornava impossível compartilhar de seu entendimento. Por alguma razão, ele é só, por opção. Por alguma razão, ele gosta de ser assim. E provavelmente, por alguma razão... Ele ainda não tenha percebido que não precisa ser entendido. Ele precisa apenas se perceber, sem pensar que necessita que o entendam. Por que na verdade, ninguém liga, ninguém se importa... Ninguém percebe o que se é por dentro... Por alguma razão ilógica.

Gil Façanha

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Louca na vida



“Vida louca vida... Vida breve” já dizia Cazuza. “Já que eu não posso te levar, quero que você me leve”...
Nas andanças sem sentidos, há sentido em andar assim. Vou procurando um lugar onde eu me encontre, antes que tudo se perca de mim.
Vou sorrindo abertamente, vou mostrando o branco dos meus dentes, pra te dizer que sou feliz. Mas vou vivendo feito louca, e aproveito pra beijar na boca. Essa é a vida que eu sempre quis.
Por baixo dessa pele, há emoções que te repelem por não saberes nada de mim.
Mas te confesso sou carente, e adoro pensar na gente e que levamos a vida assim.
Dos meus amigos quero a presença, quero distância da ausência, quero doar o melhor que posso ser.
 Dos inimigos quero a coragem, de não falar tanta bobagem, e o favor de me esquecer.
Quero morar na lua, ter estrelas como vizinhas. Mandar recado pro pequeno príncipe, contar pra ele que tenho uma flor só minha.
Vou viajar, voar no espaço, me sentir feito cometa em colisão. E desse jeito, louca na vida, eu vou andando na contramão.


Inspirado em Socorro (Help)

Gil Façanha

domingo, 24 de outubro de 2010

Na veia



Virou vício estar em teus braços
Todas as noites te amar como açoite,
E te cansar de prazer

Virou vício te olhar olho no olho
Me encaixar em teu corpo e ser só de você

Quero sim, esse viço que virou vício em mim.
Entra em minhas veias, 
tece em mim tuas teias
E me prende em você


Ah, meu vício, doce mania de te ter
Ser tua da noite ao amanhecer
Dessa química me entorpecer
Sem pensar em me arrepender

Gil Façanha

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

UM CORAÇÃO PARA LAURA ZANQUETTIN


UM CORAÇÃO PARA LAURA ZANQUETTIN

Hoje o céu abriu um sorriso

um anjo falou comigo: Ei Laura, quer um sonho?
Sim, eu quero um sonho.
Eu quero o direito de poder sonhar
o direito de poder viver.
Tem um mundo colorido se descortinando aos meus olhos
e eu não posso fazer parte desta aquarela...
Não me faltam tintas
e nem pincéis... o que me falta é um coração!
Meu coração esta doente
quase morrendo e eu preciso desenhar um coração novinho
mas não sei como fazer... eu não sei como fazer!
Preciso que me abram o peito feito uma rosa vermelha
e lá dentro, bem no fundo
alguém plante um coração novinho
Um coração/rosa em botão
que um dia vai florir e me fazer sorrir
enquanto vou colorindo o mundo com meus pincéis mágicos.


Eu sou Laura Zanquettin, moro em Campina Grande do Sul, na região metropolitana de Curitiba no Paraná.
Tenho um problema cardíaco que me impede de ser uma criança normal. Estou na fila para transplantes, mas a demora tão grande que temo não poder esperar. Preciso de um coração VIVO dentro do meu peito. Preciso viver!!
A doação de órgãos é um gesto de amor.


http://www.sbt.com.br/jormalismo/noticia/?C=1120

http://www.rpctv.com.br?parana-tv/2010/10/cai-numero-de-transplante...

http://www.youtube.com/watch?v=_iSyxB3EtsU

http://www.doareviver.com.br/

O "para sempre" existe



Ela sempre o espera. Mesmo nunca parando pra esperar. Ele sempre volta... Sempre vai voltar.  Ele sabe que ela é porto seguro, é um mundo diferente, é uma paz gritante... É a paixão latente.
Quando ele precisa de fuga da sua loucura habitual, ele lembra dela. Aquela mulher que sempre o acolhe, que o faz sentir coisas fora do normal.
Ela sabe do que ele precisa, mas sabe que ele não vem pra ficar. Ele precisa de carinho, ela representa o melhor ninho e ele precisa dela pra sonhar.
É um amor diferente! É um forte querer, e quando estão juntos, sentem a sensação de tudo poder. Às vezes ele chega triste, pra baixo, procurando uma razão pra viver. Todas às vezes ela está tranqüila, está pra ouvi-lo, certa em amá-lo sem medo de se perder.
Ele a busca incansavelmente. Ele sabe que ela é diferente. Ela é louca pela inconstância emocional dele. Nem tenta fugir... Quando o recebe, já espera a hora pra se despir. Ela o ama incondicionalmente, exatamente por ele também ser diferente... E ele sabe que é amado assim.
Nos momentos que estão juntos, a felicidade é um sentimento que persiste. E nessas idas e vindas.... Fica a sensação que o “para sempre" existe.

Gil Façanha

Nostalgia de mim mesma


Ontem à noite decidi vagar pela cidade e levei comigo, algumas amostras de saudade.
Entrei em um desses bares que normalmente desconheço, pois não fazem parte do meu cotidiano. Busquei com os olhos uma mesa no fundo daquele ambiente. Não iria querer ser incomodada. O lugar era legal! Observei tudo. As pessoas, a forma como os garçons atendiam. Como de costume, primeiro observo, me encaixo, e só depois relaxo. Gosto de perceber onde estou. Não sou nenhuma conhecedora de bebidas, já que beber não é bem um costume meu. Mas eu queria algo que combinasse com a sensação nostálgica que me invadia aquela noite. Pedi um vinho. O garçom me trouxe a carta de vinhos para que eu escolhesse mas eu não conhecia quase nenhum!rsrs.. Então vi um nome que me parecia familiar e apontei dizendo "esse". Nem sabia que gosto aquilo teria. Normalmente é minha irmã que entende bem disso... Eu apenas confio no gosto dela e a acompanho. Dessa vez, apenas arrisquei qualquer coisa. Afinal eu só queria algo que combinasse com meu estado de espírito. Nunca me importei mesmo com certas convenções ou etiquetas... Adoro mandar tudo pro inferno. Não finjo ser o que não sou ou ter o que não tenho (e isso se refere a conhecimentos também). O garçom retornou com uma garrafa escura, bonita eu pensei...rsrs... Entendo tudo de vinho..kkkkk. Sorri e disse... Ah, vai essa mesmo. Confesso que no primeiro gole aquele troço travou! Era um vinho tipo demi-sec...kkkkkk... Eu não tinha a menor idéia de que sabor tinha aquilo. Bom, mas eu iria tomar de qualquer forma. Não podia me dar ao luxo de fingir que poderia devolver, pedir outra, e ainda assim pagar as duas. Nunca pude.... Mas e daí? Eu também não ligo pra isso. Só queria um momento só meu. E eu estava tendo. Havia um envelope que levei comigo e retirei umas fotos de dentro. Espalhei sobre a mesa e fiquei observando. Vi a imagem de uma criança de mais ou menos quatro anos de idade. Tinha um sorriso que me fazia sorrir. Lindo! Inocente como toda criança dessa idade. Eu a vi tão pura, tão distante da atual realidade desse mundo maluco. Fechei os olhos e a vi correr,  cair, chorar, se aconchegar nos braços de sua mãe. Brincar com seus irmãos e amigos, e a vi lembrar em alguns momentos que nunca aprendeu a pronunciar a palavra PAI. Mas eu não a via triste. Ela nem parava pra se questionar isso. Esse questionamento só viria anos depois. O próximo gole daquela bebida me faria abrir os olhos e olhar para a outra imagem. Fiz aquela cara de "que merda amarga é essa?"...rsrsr.. E continuei...
A imagem seguinte era de uma adolescente. Corpo esguio, cabelos longos, pele branca e uma roupa que se repetia sempre, pela falta de opção. Fecho os olhos mais uma vez, e lembro-me bem dela. Cheia de inocência ainda. Acho que nessa foto ela tinha uns 14 anos de idade. As garotas de hoje com essa mesma idade, já possuem comportamentos bem diferentes do que aquela menina tinha. Eu a vi se apaixonar pela primeira vez, e a vi chorar pela primeira vez ao descobrir que se apaixonar não era um momento único... Era apenas um momento. Dentre tantos que possivelmente ainda viriam. Lembro que era difícil pra ela, entender o porquê que ser sincera, transparente, trazia tantas mágoas. Lembro da sensação de estar sendo obrigada a mudar. De descobrir que o mundo não é justo, e lembro muito bem da sensação de descobrir que a vida é apenas a chama de uma vela. Ela descobriu isso ao perder seu primeiro namorado em um acidente de moto. A vida se revelava implacável.
Muitas coisas se passaram desde então. Alguns amores, algumas dores.... Nada incomum. Lembrei de muitos amigos que se foram em outras direções. Pessoas que a chamaram de irmã... e depois a apunhalou olhando-a nos olhos. Sem medo ou vergonha de exibir tamanha covardia.
Outro gole... Outra cara feia...rsrs. Puts... Nunca mais tomo isso.
Mas o gosto amargo do vinho que insistia em travar na garganta, combinava com esse momento. Peguei um pedaço de papel e já havia levado uma caneta. Sempre ando com uma. Comecei a rabiscar qualquer coisa que nem lembro o que foi. Deixei pra trás. 
Havia uma terceira foto... Uma mulher. Me parecia familiar. Ela tinha meu rosto, meus olhos, meu sorriso, e eu tinha a louca sensação de não ser eu. Mas lembro bem dela. Por incrível que pareça, AINDA havia muita inocência naquele olhar. Uma certa pureza mesmo. Como havia sentado de frente a uma janela de vidro, pude ver o meu próprio reflexo embaçado. Fitei novamente aquela foto. Como ela era feliz! Ingênua até. Fechei os olhos mais uma vez e lembrei-me bem. Vi tantos sorrisos por coisas tão simples, tão ao alcance. Vi alegria até nas lutas. Era bom vencer cada problema. 
Abri os olhos, e mais um gole.... E mais um PUTA QUE PARIU, QUE MERDA É ESSA?! kkkkkk... Eu conseguia rir disso. Eu estava me divertindo com a minha péssima escolha e com meu pouco dinheiro. Pouco demais pra pedir outra coisa. Olhei meu reflexo novamente, e sorri. Coloquei a mão no rosto e sorri com vontade. O ambiente era tipo a meia luz, então, ninguém iria notar que provavelmente eu era só uma maluca rindo sozinha em uma mesa no canto de um bar onde eu nunca havia estado. 
Eu reconhecia todas aquelas fotos, todos os momentos, todas as sensações. Eu tenho uma ótima memória para fatos. Eu sempre lembro de tudo que vivi e tudo o que disse, e tudo o que ouvi. Não há muitos enganos nisso. Eu só não conseguia entender ou reconhecer aquele reflexo no vidro da janela. A minha quarta imagem, o meu reflexo embaçado, foi o que me levou até aquele lugar. Não sei bem que transição é essa, mas confesso que não gosto dela. Não gosto de me sentir confusa, insegura e o pior de tudo... Não gosto de não me reconhecer tão bem. 
Virei a última taça como se desejasse me impor algum castigo..rsrs. O garçom, muito educado por sinal, talvez por eu ser mulher e estar sozinha, serviu o vinho novamente. Não posso negar que dei uma boa gargalhada que o coitado com certeza ou não entendeu, ou achou que eu já estava bêbeda com duas taças de vinho..kkkkkk. Eu só não suportaria outra... Por favor... Não me torture tanto (foi o que pensei em dizer..rsrs). Suspirei profundo, peguei a taça, tomei mais um gole, fiz mais uma cara de quem estava odiando e pensei: Ah, eu não mereço tanto castigo assim. 
Pedi a conta e sai daquele lugar com a sensação de que o vinho sugou todo o líquido do meu corpo. Eu só queria água. Caminhei um pouco na areia da praia e em um determinado momento, eu olhei o relógio, e vi que já era hora de voltar pra minha vida real. Não adianta tentar entender nada. Eu só precisava desse momento. O resto... Só o tempo irá explicar. Mas não posso negar que sinto uma enorme saudade de mim mesma. E que ainda não reconheço muito bem essa estranha que se exibe sorridente no reflexo do meu espelho.

Gil Façanha



"Acordei hoje com tal nostalgia de ser feliz. Eu nunca fui livre na minha vida inteira. Por dentro eu sempre me persegui. Eu me tornei intolerável para mim mesma. Vivo numa dualidade dilacerante. Eu tenho uma aparente liberdade mas estou presa dentro de mim". (Clarice Lispector)

(Apenas quando terminei de escrever esse texto, na busca por uma imagem e um título, encontrei esse texto de Clarice Lispector. Como não me encantar com essa mulher, se eu adoraria ter sido a pessoa que escreve o que ela parece revelar da minha própria alma?)

terça-feira, 19 de outubro de 2010

A Queda ou Apologia Ao Instante Presente



Eu era como uma personagem de teatro de fantoches, mas rompi os fios que ligavam a guia que manipulavam os movimentos, as ações preconcebidas da personagem. Eu interpretava ninguém!
Acostumado a ser guiado, no começo cai sem sustentação. Estranhei. Cai e na queda quebrei alguma coisa. Não sei bem o quê, mas era coisa necessária para eu saber se um dia eu fui alguém. Tamanho foi o susto quando descobri que o que eu era não passava de um boneco de fantoches.
Uma pré-vida torpe e sem significância. Eu era a própria manifestação do nada. Manifestar nada? Sim, é possível não ser.
Quando os fios são rompidos conscientemente há tempo para reorganização das idéias, das coisas primeiras, daquilo que chamamos de personalidade. No entanto, o rompimento abrupto e simultâneo resulta numa queda livre, aonde o chão é o único apoio sólido e confiável para ensaiar as primeiras engatinhadas.
Engatinhar livremente é demasiado mais prazeroso a correr aprisionado.
Engatinhar desprovido de preceitos é infinitamente mais satisfatório do que correr preso a conceitos vãos.
Volta-se ao inicio, aonde não há limitações. Nada é ditado. Quando o “estar” faz o “ser”, e as manifestações... A existência... É demonstrada na ação.  No aqui e agora.
A intensidade da emoção marca o presente, eternizando-o.
O momento emoldurado na mente... Na memória... No inconsciente. Alimentando o arquétipo da coragem.
Coragem de romper com o vigente, com o comum.
Coragem de cortar os laços que até então ditavam as ações.
Coragem de voltar ao inicio.
Coragem de não ter o passado como um fardo, tampouco o futuro como uma promessa.
Coragem de apagar, de negar tudo que não faz parte do agora. Coragem de manifestar uma pequena verdade resultante de uma reflexão honesta.
Coragem de dizer que o saber é inexistente.
Coragem de dizer que ação é ilusória.
Coragem de dizer que o agora já foi.

Rafael Rocha

sábado, 16 de outubro de 2010

Por que haveria de querer minha alma..



E por que haverias de querer minha alma
Na tua cama?

Disse palavras liquidas, deleitosas, ásperas
Obscenas, porque era assim que gostávamos.
Mas não menti gozo prazer lascívia
Nem omiti que a alma está além, buscando
Aquele Outro. 
E te repito: por que haverias
De querer minha alma na tua cama?
Jubila-te da memória de coitos e de acertos.
Ou tenta-me de novo. 
Obriga-me

Hilda Hilst

Apenas por hoje



Que sensação é essa que parece me consumir? Estou cheia do mundo! Não cansada... Digo cheia, lotada, até a borda do que eu sou. Está tudo aqui, em mim. Vou explodir.
Há uma necessidade de entendimento, compreensão sem lamentos, lágrimas sem nenhuma explicação. Quero uma visão de 360º...Tudo bem, posso me contentar com 180º. Dá pra ser então?
Se não pode ser como eu quero, e nem pode ser como aceito, então pra que me perguntam o que quero?
Quero é me desfazer das regras! Quero me desfazer do que apenas é possível! E quem disse que o impossível me atrai? Eu só quero o MEU possível.
Não quero pensar o que pensam de mim. Não quero temer o que dirão. O que farão. E daí para o que são?
Quero um momento rebelde sem causa, quero correr na chuva descalça, quero falar um monte de palavrão, quero comer usando somente as mãos.
Quero ultrapassar todas as medidas, quero fazer um monte de merda na vida e sem tirar o pé do chão.
Quero ser o TUDO o que sou... sem receio, sem pudor, sem nenhuma classificação.
Quero mandar tudo pro inferno e amanhã, quando acordar eu quero ter a sensação de que ta tudo bem, que apesar dos pesares eu não magoei ninguém... Por que tudo o que fiz, foi somente meu próprio mal... Foi meu próprio bem.


Gil Façanha

Porta aberta


Deixei a porta aberta pra você entrar. Fingi que foi esquecimento, mas é só minha esperança de ver você voltar.
É bem verdade que muito mudou na tua ausência. É bem verdade que alguns dias foram noites, porque em certas noites eu ainda sentia tua presença.
Te procurava pelos cantos, lembrava do quanto me revelei pra esse amor. Acho incrível e absurdo, como algumas grandes emoções podem se transformar em dor.
Fui intensa a cada hora, o mais verdadeira que eu pude ser. Me entreguei de corpo e alma, provei do sabor que tinha você.
No último encontro, a despedida, eu pude ver no teu olhar! Tua emoção estava perdida, e eu não pude evitar.
Foi adeus sem lágrimas nos olhos. Não sentia vontade de chorar.
Quando percebi a ausência daquele brilho, não conseguia nem falar.
Me lembrei da nossa história, de tudo que vivemos até então. Me perguntei se todos aqueles momentos, foram sentidos em vão.
Me chamavas de meu anjo e contigo eu parecia voar. Eu mergulhava em teu corpo e de prazer me fazias flutuar.
Estou me recuperando, tentando fazer o melhor que posso. Mas não é fácil te arrancar  do peito... Me dói, mas eu forço.
Nos teus braços me senti menina, fêmea, mulher... Hoje sinto-me apenas um anjo... Que ainda não consegue ficar de pé.



Inspirado na minha amiga "Doce Pecado"

Gil Façanha

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Confissões de um poeta (Dueto)



Conta-me se ser poeta é tudo o que querias

Posso expressar que não aspirava e nem previa

Confessa-me se te revelas em teus versos...

Sim! Esboço o que capto pelo universo

Ou se te escondes em tuas fantasias.

Por vezes fujo das intempéries vadias
Ser ou não ser eis a questão da cruel realidade
Escrevo para construir meus sonhos de felicidade
Então me espelho em cada palavra dissecada
Diz se tuas emoções são reveladas
Se posso dizer quem realmente és.
Fala-me além dos poemas que me deixam aos teus pés.
A paixão, emoção, sentimentos estão ali explícitos
Sou simples e transparente em todos os momentos
Tenho um passado honrado de muitas vitórias
Descreve os teus encantos, a maravilha de ser você?
Ou esconde nas rimas perfeitas tudo o que quero saber?
Se possuir encantos eles estão nos olhos de quem os vê
Dispo-me de todas as vestes e fico nu a quem me lê
Seria tua arte o teu próprio recanto de paz?
Construo a plasticidade do que sou capaz...
Ou por trás da poesia, existe uma alma que pede mais?
Sou mesmo guloso e por vezes exagero a querer demais
Conta-me, revela... Desnuda todas as tuas intenções.
Quero alguém para viver um grande amor sem decepções
Deixa tua alma exposta... Mergulha nas letras sem pensar...
Que seja simples, honesta, sincera e que queira me amar
Deixa-me pensar que em teus versos, és mais do que consigo sonhar.


Gil Façanha

Hildebrando Menezes

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Por trás da tua arte



Conta-me se ser poeta é tudo o que querias
Confessa-me se te revelas em teus versos...
Ou se te escondes em tuas fantasias.

Diz se tuas emoções são reveladas
Se posso dizer quem realmente és.
Fala-me além dos poemas que me deixam aos teus pés.

Descreves os teus encantos, a maravilha de ser você?
Ou esconde nas rimas perfeitas tudo o que quero saber?

Seria tua arte o teu próprio recanto de paz?
Ou por trás da poesia, existe uma alma que pede mais?

Conta-me, revela... Desnuda todas as tuas intenções.
Deixa tua alma exposta... Mergulha nas letras sem pensar...
Deixa-me sentir que em teus versos, és mais do que consigo sonhar.

Para Hildebrando Menezes


Gil Façanha

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Devolva


Escrito a pedidos (exclusivamente para Mônica Jucá) 

Devolva.... Devolva as minhas esperanças
Não as quero mais em você.
Devolva todos os sonhos, os que acreditei que poderiam acontecer

Vou resgatar meu coração, retirá-lo de tuas mãos
E superar as dores que deixaram cicatrizes
Hoje recupero as emoções doadas...
Buscaremos outras formas de sermos felizes

Não espero que me entenda, ou que retome o caminho que ficou para trás
Não desejo que me ame, não desejo que me queiras... Não desejo nunca mais

Sinto que todo o tempo foi perdido, momentos presos a um talvez
Devolva-me as certezas da tristeza, as únicas que você não desfez.

Devolva minha esperança, o prazer em continuar
Hoje quero minha vida de volta...
E assim... Poder recomeçar.

Doei todas as minhas palavras
Você foi minha maior inspiração
Esqueci que meu amor próprio existia... Coloquei-me em tuas mãos

Meu peito partiu-se em pedaços no dia em que me disse adeus...
Agora resgato minha alma cinza
Devolva-me o que era teu.

Não te quero mais em mim... Só em ilusões eu fui feliz
Mas agora, por favor, devolva... Devolva o que você não quis.



Gil Façanha

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

AMOR X PAIXÃO - Duo: Gil Façanha e Hildebrando Menezes



Aqui uma temática que aprecio muito e ao ver a reflexão da poetisa Gil Façanha não resisti a doar a minha visão, envolvimento e adesão, afinal... Amor e paixão são os mais importantes instrumentos que unem e separam os amantes na poesia e na vida. Ninguém pode ‘jurar de pé junto’ que nunca sentiu em si mesmo esse duelo ardente bem dentro de si. Não é vero? E a nobre poetisa Enise, maestrina desses sentimentos, colocou toda sua delicada arte tornando esse vídeo irresistível e imperdível. 

Hildebrando Menezes.

Meu querido amigo e poeta, quando vi nosso texto no youtube, fiquei toda arrepiada...rsrs. Pode ser bobagem, mas ter um poeta do teu valor fazendo um dueto com um texto meu, e uma pessoa altamente sensível como a Enise dando esse show de criatividade fazendo esse vídeo em cima do que escrevemos... Nossa mãe do céu!! Pra mim não há descrição ideal pra expor a minha alegria. Com muita honra aceitei e aceitarei todos os duetos que nossas afinidades poéticas nos proporcionarem. Um grande abraço e todo o meu carinho pra você e para poetisa Enise.

Gil Façanha

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