Sejam bem vindos pra dentro de mim. Aqui, estou expondo emoções, revelando minha alma, compartilhando com carinho... Publicando sentimentos. (Gil Façanha)

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Nas raias da loucura


(Esse texto é apenas a tentativa de um relato, após um período de estágio em um hospital psiquiátrico.)

Nesse mundo absorto em delírios, me ponho a pensar. A loucura que rapta almas vivas, joga no abismo do esquecimento, vidas inteiras, sem questionar.
Converso, analiso, me perco em contos irreais... Há momentos em que esqueço que estou no mundo dos “normais”.

Tento chegar a uma conclusão sensata, qualquer coisa que ajude a entender! Diante de tantos delírios, sinto medo de me perder.

Eles chegam perto, querem tocar, como se precisassem  sentir qualquer coisa que os lembrem o que é ser normal... Qualquer um que vem de fora, é uma possibilidade de fuga do seu mundo habitual.

Me pergunto se a loucura tem mesmo uma definição!! Diante desses olhos arregalados, a loucura me parece mais uma explosão.

Exteriorizam o que sentem, com tanta intensidade, que deixam vir do fundo de suas almas, TUDO, inclusive a maldade. Não há consciência de medidas, não há nenhuma exatidão. Pra fazer o que desejam, querer, é a única explicação.

Enquanto observo os seus hábitos, alegria ou agressividade natural... Percebo que ser louco, nesse espaço, é 100% normal.

É como se essa fuga do real, lhes dessem a possibilidade, de ser tudo o desejam... Serão, farão, dirão o que quiserem, não importa onde eles estejam.

No mundo que criaram, não há limites pra sentir. Não há pudor, nem há regras... Apenas as que quiserem, por hora, seguir.

Porém, mesmo na loucura, há o medo da solidão! Todos param e perguntam: “Minha família! Onde estão?”

Alguns, são largados por aqui, pois é difícil lhes conter. Muitas famílias já foram destruídas, por não conseguirem, a loucura vencer.

Pode parecer possível, esquecer alguém assim. Mas ter um pai, uma mãe, um filho, nesse mundo inconstante de ilusão... Isso sim, é na normalidade, uma loucura sem fim.

(As vezes me pergunto se ser louco, é você exteriorizar tudo o que há de bom e ruim em você, de uma maneira tão intensa, que se torna perigoso para se viver em sociedade.)


Gil Façanha

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