Sejam bem vindos pra dentro de mim. Aqui, estou expondo emoções, revelando minha alma, compartilhando com carinho... Publicando sentimentos. (Gil Façanha)

domingo, 2 de janeiro de 2011

Um novo ano... Velhas lembranças.



Ela se perdeu no passado. Repensou cada passo, parou a cada esquina. Naquele exato momento de um velho ano, ela esbarrou na nostalgia. Apertava a mão sobre o peito como se tentasse impedir que o coração estourasse de tanto palpitar. Viu naquele portão, a proteção da infância. Viu naquelas ruínas, lembranças do sorriso de criança. Ali, uma criança foi feliz. Daquele ponto, começava a ver a vida como ela é.
No percurso, muito daquela criança se perdeu. Muita esperança se tornou ilusão e o mundo... Ah, esse mostrou possuir tantas faces, tantas direções. Como não se perder em meio a tantas opções? Como não confundir devaneios e anseios que se formam e enraízam dentro de nós? Como encarar a dura realidade se ela mostra-se tão impiedosa? É tão fácil fugir dela e tão doloroso o momento em que temos que dar o braço a torcer e admitir que a realidade nua e crua é a única coisa que te possibilita sonhar! É tão louco esse entendimento! É tão perturbadora essa descoberta, esse insano momento!
Meia noite! Fogos estouram e brilham no espelho do seu olhar. Uma lágrima rola e molha o seu sorriso. Complexo momento traduzido em êxtase. Buscava em si, a tradução daquela emoção, mas sempre foi em vão tentar entender os sentimentos. Sentir sempre foi sua maior qualidade e seu maior defeito. Definir, já não fazia parte do seu repertório emocional.
Pessoas gritavam em volta, pulavam, puxavam-na pelo braço e a beijavam e ela retribuía como se nunca houvesse se ausentado um único momento daquele lugar. Mas sua alma foi jogada em um túnel do tempo, pela sua mente. Tudo ali representava um ponto de sua vida. Naquele portão, havia mais que a proteção de sua infância. Havia a lembrança de uma despedida eterna, havia abraços apaixonados, olhares de desejos, a primeira paixão tímida e havia o sabor de muitos beijos. Lembrava das ruínas já reerguidas e   de tantas histórias que foram vividas naquele lugar. Quantos amores começaram, e quantos terminaram!! Tantas lágrimas pelas mais diversas razões.
Um sorriso reinou e iluminou seu olhar. Era o início de um novo ano, e de muitas histórias que ainda viriam pra lhe emocionar.  Olhou em volta, e percebeu  que o passado lhe trouxe um presente momento repleto de muitas razões pra sorrir. Alguns novos amores já estavam começando ali. Parecia o início de uma nova temporada do mesmo seriado... O seriado de sua própria vida. Muitas personagens já partiram e deixaram sua marca. Ninguém passou em vão. Cada capítulo vivido deixou seu recado, sua saudade ou sua lição.
Agora há um novo começo, ou apenas a continuação. Não importa quem virá para acrescentar ou quem partirá para uma nova etapa... O que vale mesmo é viver intensamente cada emoção. 



Dedico esse texto as minhas eternas amigas de anos de convivência e que fazem de sua existência em minha vida, a razão do meu sorriso:

Gilvaneide
 Mônica Jucá
 Jane
 Tetê Pessoa
 Jeane
 Mércia
Rosinha
 Flaviana


Gil Façanha

2 comentários:

Jorge Sader Filho disse...

Uma senhora peça, onde passado e futuro vão-se alternando, a autora indaga a identidade e o mundo, calado, assiste o diálogo de Gil com ela mesma!
Uma linda prosa poética!

Beijos,
Jorge

Mônica Jucá disse...

Sem palavras...me sinto lisonjeada por ter me incluído nessa linda homenagem....você é muito especial!! Te amo cunhadinha!!

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