Anjo ferido





Não te disse adeus. Não pude. Não houve chance de ser eu,
E toda aquela paixão contida, você nem soube que aconteceu.
Fui condenada com pressa... Sem culpa explícita, cai no banco dos réus.
Juiz impiedoso, nem mesmo ouviu o que minha emoção gritava.
Tuas conclusões deixam claro, que ao estar comigo,
Nem sabias de verdade com quem estavas.

Essa dor machuca... Tanto que transpassa o peito.
Tento entender tua alma, tua completa falta de jeito.
Desfaz de mim... Ordena a partida sem culpa,
Ainda que a culpa exista para você.
Desdenha das minhas palavras, faz do meu sabor apenas uma vaga lembrança,
Que com o tempo perdoarei minha falta de erro,
E esquecerei  tua atitude de criança. 
Gil Façanha

Comentários

Barthes disse…
Desencontros,quando nossas expectativas caminham no sentido do perfeito,tudo direito no seu acabamento,tudo já devidamente pronto e topamos com o desconforto,vemos que o direito está,na verdade,torto e começa o suplício,o tormento.

Texto muito delicado esse Gil...Me senti culpado,desejando de algum modo,consertar o equivocado.
À distância,penso.
Será que já fiz alguma mulher se sentir assim,já perdi o senso,já exilei alguma rainha de mim???

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